Segunda-feira, 15 de Maio de 2006
Adriano Correia de Oliveira

 


 “Nas tuas mãos tomaste uma guitarra
Copo de vinho de alegria sã
Sangria de suor e de cigarra
Que à noite canta a festa da manhã.

(…)”

In “Memória de Adriano”, soneto de Ary dos Santos

 

 

Adriano Correia de Oliveira nasceu na Rua Formosa, 370, no Porto, a 9 de Abril de 1942.

 
Meses depois foi morar para Avintes, para a Quinta das Porcas, um local pitoresco do Rio Douro.
 
Fez a Escola Primária (em Avintes) e o Liceu no Porto (Liceu Alexandre Herculano).
 
Em 1957 foi fundada a União Académica de Avintes (UAA), da qual foi um dos fundadores. Foi aqui que se iniciou no Teatro Amador e foi atleta da equipa de voleibol desta associação e acompanhou-a desde os campeonatos regionais até à consagração de campeões nacionais da I Divisão.
 
Apenas com 17 anos (1959), matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra que acabou por não terminar.
 
Tornou-se atleta da secção de voleibol da AAC (Associação Académica de Coimbra), tendo sido, em 1960, campeão regional da II Divisão.
 
Ainda em 1959, integrado no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica de Coimbra, abrilhantou bailes de estudantes, cantando e tocando guitarra eléctrica, ao lado de José Niza, José Cid, Proença de Carvalho e outros...
 
Tornou-se membro do Orfeão Académico, colaborou em serenatas, em manifestações musicais e culturais e participou activamente nos movimentos estudantis dos anos sessenta

.



Iniciou-se no Fado Coimbra, acompanhando o Grupo Eduardo Melo nas serenatas pelas noites frias das ruas da cidade de Coimbra.

Numa festa de recepção aos caloiros, na Faculdade de Medicina de Lisboa, Adriano Correia de Oliveira cantou, pela primeira vez em público, a “Trova do Vento Que Passa”.
 
Adriano Correia de Oliveira recolheu, seleccionou e gravou canções de raiz popular, nomeadamente trechos do folclore minhoto, beirão e açoriano.
 
Gravou vários álbuns, cantou poemas de autores portugueses e melodias que encantaram e prevaleceram como baluartes da canção de intervenção. Ainda nos tempos de hoje essas canções emblemáticas continuam a ser bandeiras de luta do nosso dia a dia.
 
Ao lado de José Afonso, Manuel Freire, Luísa Bastos, José Jorge Letria, Francisco Fanhais, José Mário Branco – e tantos outros –, deu sempre o seu melhor, o seu testemunho do profundo amor à causa da Liberdade, levando – através das suas canções e dos seus actos -  mensagens, conforto e ânimo aos companheiros exilados, presos ou que tinham de sufocar os ideais democráticos.
 
Muito cedo nos deixou, quando estava no auge da sua carreira. A morte surpreendeu-o a 16 de Maio de 1982, em Avintes, com apenas 40 anos de idade.
 
(…)
 
O corpo grande a alma de menino
Trazia no olhar aquele assombro
De quem queria caber e não cabia.
 
Os pés fora do berço e do destino
Pediu uma cerveja e poesia.
E foi-se embora de viola ao ombro.
 
In “Adriano”, soneto de Manuel Alegre

 

 

«Espero que o trabalho que está feito sirva para estimular os jovens
na procura de soluções
que retratem os problemas do seu tempo.»
 
Adriano Correia de Oliveira

 

 

 


 

Com este post  traço a rota e o perfil de Adriano nos poucos anos que esteve entre nós,

Não sei bem porquê, tentam que o seu exemplo e a sua voz caia no esquecimento.

Hoje como ontem continua quase um desconhecido para o povo, esse mesmo povo a quem dedicou a sua arte, a sua vida, o seu empenho à Liberdade.

A sua voz foi uma arma... antes e depois de Abril.

Não deixemos que a voz de Adriano seja calada.

Até sempre, Adriano!

 


 


sentimento: fulo!Querem silenciar Adriano!
música: Trova do Vento que Passa - Canta Adriano Correia de Oliveira

publicado por zeca maneca às 22:30
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9 comentários:
De TMara a 16 de Maio de 2006 às 00:24
até já, Adriano. Até sempre.


De wind a 16 de Maio de 2006 às 01:00
Nunca o esqueci. beijos


De amita a 16 de Maio de 2006 às 21:32
Esta canção é maravilhosa, aliás como quase todas as que tinha do Adriano (no tempo das "escondidas"). Um artigo muito bom em homenagem a quem tem todo o direito de permanecer entre nós como um dos melhores. Um bjinho e uma flor


De zeca maneca a 18 de Maio de 2006 às 10:38
Agradeço a chamada de atenção do G. Martins para o poema de Ary de dicado a Adriano (Memória) e que tem uma gralha ("são" quendo deveria ser "sã").

“Nas tuas mãos tomaste uma guitarra
Copo de vinho de alegria
Sangria de suor e de cigarra
Que à noite canta a festa da manhã."

No entanto quero referir toda a documentação que consultei mantém o mesmo erro.
Obrigado pelos avisos, GM.




De alice a 20 de Maio de 2006 às 15:39
Olá José,

como está desde ontem?

Aqui me tem a visitá-lo encantada

Passei pelos chovisvos também ;)

Continuação de um bom fim de semana

Um grande beijinho,

Alice


De alice a 20 de Maio de 2006 às 15:39
Olá José,

como está desde ontem?

Aqui me tem a visitá-lo encantada

Passei pelos chovisvos também ;)

Continuação de um bom fim de semana

Um grande beijinho,

Alice


De alice a 20 de Maio de 2006 às 15:39
Olá José,

como está desde ontem?

Aqui me tem a visitá-lo encantada

Passei pelos chovisvos também ;)

Continuação de um bom fim de semana

Um grande beijinho,

Alice


De alice a 20 de Maio de 2006 às 15:40
Olá José,

como está desde ontem?

Aqui me tem a visitá-lo encantada

Passei pelos chovisvos também ;)

Continuação de um bom fim de semana

Um grande beijinho,

Alice


De alice a 20 de Maio de 2006 às 15:40
Olá José,

como está desde ontem?

Aqui me tem a visitá-lo encantada

Passei pelos chovisvos também ;)

Continuação de um bom fim de semana

Um grande beijinho,

Alice


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