Sexta-feira, 11 de Maio de 2007
Maio de 1968

Sarkozy (que venceu as últimas eleições francesas com 53 por cento dos votos) fez no último comício uma alusão ao Maio de 68, culpando-o de todos os males que tem sofrido a França.

Para recordar esse movimento que atravessou fronteiras e abalou o mundo na segunda metade do século passado e antes que Sarkozy apague a memória colectiva de um movimento que fez tremer uma nação, deixo-vos com este trabalho que tentará retratar aquela época.

Como documento histórico fica a canção «Nous sommes les nouveaux partisans», que se tornou uma espécie de hino do Maio de 68, cantado por Dominique Legrange.



 

1968 - As barricadas de Maio


Em 1965
, na periferia da capital francesa, foi criada a Universidade de Nanterre para acolher os estudantes que, por muitas razões, não podiam entrar nas Escolas Superiores tradicionais (Sorbone, Escola Normal, Escola Politécnica, etc.).

Em 23 de Março de 1968, descontentes com a disciplina rígida, os currículos escolares e a estrutura académica conservadora, os estudantes de Paris organizaram protestos e boicotaram as aulas. A polícia, usando cassetetes e gás lacrimogéneo, atacou os estudantes que ocupavam a Sorbonne e realizou prisões em massa.

Em 3 de Maio de 1968 a universidade de Sorbone foi ocupada pelos seus alunos como resposta ao fecho da universidade de Nanterre pelas autoridades, no dia anterior. Teve início uma onda de ocupações das universidades por toda a França. A polícia atacou brutalmente os estudantes. Estes desceram às ruas denunciando não só a brutalidade e a repressão policial, mas também a guerra do Vietname e as políticas imperialistas do governo francês e americano Este movimento estudantil espalhou-se às outras Faculdades originando greves e ocupações destas. A CRS, a polícia do presidente De Gaulle, usou de grande violência para restabelecer a ordem. O protesto estudantil contra o autoritarismo e o anacronismo das Academias rapidamente se transformou, com a adesão dos operários, numa contestação política ao regime gaulista. Foram ocupadas universidades, fábricas e outros sectores produtivos. Estudantes e trabalhadores aderiram a manifestações e estiveram unidos nas greves entretanto desencadeadas ou nas barricadas com que enfrentaram as chamadas forças da ordem.





Em 6 de Maio ocorreu um confronto entre 13 mil jovens e a polícia. Os polícias lançaram bombas de gás lacrimogéneo e os jovens responderam à pedrada.

Em 10 de Maio os estudantes ergueram barricadas nas ruas centrais de Paris que davam acesso ao Quartier Latin, centro universitário da cidade. A maior batalha entre a polícia e os manifestantes deu-se nesta área e ficou a ser conhecida pela “Noite das barricadas”.

Em 13 de Maio deu-se a primeira manifestação conjunta de estudantes e trabalhadores. Mais de um milhão de trabalhadores e estudantes aderiram a uma greve geral e marcharam pelas ruas de Paris em protesto contra as acções policiais dos dias anteriores.



Em 17 de Maio, mais 200 000 trabalhadores entraram em greve. Nos dias que se seguiram, o número de trabalhadores que aderiram à primeira greve geral na história da França foi aumentando. 11 milhões de trabalhadores se envolveram numa greve que durou mais de 2 semanas.

Em 24 de Maio, o presidente De Gaulle anunciou que o governo levaria a cabo as reformas educacionais pedidas pelos estudantes e garantiu um aumento salarial significativo para os trabalhadores grevistas. Enquanto isso, em Grenelle, delegados governamentais negociavam com os sindicatos uma série de melhorias sociais para pôr fim à greve geral dos trabalhadores e assim poder dividi-los e afastá-los dos estudantes.

Em 29 de Maio, o general De Gaulle viajou até às bases francesas na Alemanha para obter apoio do general Massu para uma intervenção militar em Paris. A situação foi controlada nos finais de Maio, com uma violenta repressão de que resultou mais de milhão e meio de feridos.

Em 30 de Maio, uma manifestação de cerca de 1 milhão de conservadores, a chamada “maioria silenciosa”, marchou em Paris contra a greve geral e as reivindicações dos estudantes. De Gaulle propôs uma solução eleitoral (eleições parlamentares) e graças a ela obteve uma significativa vitória nas eleições de 27 de Junho. Os gaullistas acabaram por aumentar a sua maioria, controlando 358 das 487 cadeiras.

A partir de então o movimento estudantil enfraqueceu. Mas o governo de De Gaulle, abalado por este movimento, acabou por cair. Em 27 de Abril de 1969 o general De Gaulle renunciou à presidência da Republica, depois de tê-la ocupado durante dez anos.

 

Conclusão:

Os acontecimentos de Paris fizeram parte de um movimento maior de contestação que ocorreu em vários países do Ocidente, como Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda, Suíça, Dinamarca, Espanha, Reino Unido, Polónia, México, Argentina e Chile. Estudantes, Intelectuais e trabalhadores protestaram contra a situação do pós-guerra, as guerras e as ocupações imperialistas.

Governos fascistas foram derrubados em Portugal e em Espanha, juntamente com a ditadura militar na Grécia. Em Inglaterra, uma greve de mineiros derrubou o Governo de Edward Heath. Nos Estados Unidos, o presidente Nixon foi obrigado a renunciar. Nos Estados Unidos cresceu um grande movimento de oposição à guerra no Vietname, encabeçada pelos movimentos Hippie.

 

 

José Gomes

11 de Maio 07


sentimento: Penso que dei ideias...
música: "Nous sommes les nouveaux partisans" - Dominique Legrange
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publicado por zeca maneca às 22:10
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4 comentários:
De wind a 11 de Maio de 2007 às 23:15
Excelente post!
Precisávamos de outro Maio de 68, mas está tudo demasiado conformado.
Beijos


De Ana a 12 de Maio de 2007 às 20:41
Deu ideias sim, obrigada. Excelente post!


De Helena Peixoto a 15 de Maio de 2007 às 00:15
Mais uma vez parabéns pela coragem de fazer recordar os mais velhos e de alertar os mais jovens para um maravilhoso movimento de jovens estudantes que em 1968 ousaram sonhar com um mundo melhor... Jovens estudantes que se juntaram aos trabalhadores e que mesmo sofrendo cargas policiais ousaram dizer "Não!". A essa geração que cresci a admirar, apelo hoje para que não deixem morrer a memória... para que não se calem e possam dizer aos Sarkozys que nunca deixaremos esquecer homens e mulheres que lutaram para que hoje possamos ter um mundo melhor e pronunciar a palavra Liberdade...
Obrigado José Gomes.


De Thais Gravato Kunze a 26 de Abril de 2008 às 16:29
Oi...
adorei o post, principalmente pelo fato que eu estou fazendo uma pesquisa sobre a musica de maio de 68 e o que veio depois.
Muito abrigada.
thais.gravato@gmail.com


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