Quarta-feira, 8 de Março de 2006
DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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Dia Internacional da Mulher


 


As mulheres do Século XVIII estavam submetidas a um sistema desumano de trabalho, com jornadas de 12/16 horas diárias, espancamentos e ameaças sexuais.


No século XXI, apesar das lutas e das denúncias efectuadas, a MULHER continua a ser descriminada e vítima das mais variadas sevícias e explorações, mesmo naqueles países ditos civilizados.


 


8 DE MARÇO

As comemorações do dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, estão ligadas às acções desenvolvidos pelas mulheres que lutaram por melhores condições de trabalho, por uma vida mais digna e por uma sociedade mais justa.


Esta luta foi-se desenvolvendo com avanços e recuos ao longo da História, pelas mulheres que souberam resistir ao machismo e à discriminação, mesmo com o sacrifício das suas vidas.

Raízes históricas e sociais

As raízes históricas e sociais da opressão feminina perdem-se nas noites do Tempo.


A degradação da condição feminina deu-se com a destruição do “clã matriarcal” que foi substituído pela sociedade dividida em classes.


Naquele (clã matriarcal), os adultos dos dois sexos produziam não só para se manterem, mas também para alimentar e proteger os filhos de toda a comunidade onde estavam inseridos, uma vez que a família, tal como hoje a conhecemos — um núcleo isolado que vive expressamente voltado para si mesmo — não existia e as necessidades eram compartilhadas colectivamente. Não havia distinção de classes nem opressão social sobre a mulher.


Com o desenvolvimento da sociedade de classes (escravismo, feudalismo e capitalismo) deu-se início à exploração do homem pelo homem e o trabalho doméstico caiu exclusivamente sobre a mulher. O capitalismo converteu a mulher em operária, muito mais fácil de ser explorada.


Os ideólogos burgueses e a Igreja criaram as instituições “Casamento” e “Família”. Coube ao Estado e a estas instituições controlar as necessidades de sexo (Casamento) e da procriação (Família).


A Família, como instituição, é um produto da história humana. Com o advento da sociedade dividida em classes, esta adquiriu um papel bem definido.


Por exemplo, os juristas da Roma antiga criaram o princípio de “todo o poder ao pai” que formalizou as leis referentes à propriedade e ao matrimónio, ambos declarados inseparáveis. O casamento era reconhecido somente entre os patrícios, cuja finalidade era manter e perpetuar para os filhos as propriedades acumuladas até então.


A extensão do casamento a todas as classes sociais foi já obra da civilização burguesa, ao surgirem as relações de tipo capitalista, nas quais cada família funcionava como uma pequena empresa particular.


Reportando-nos a estudos recentes da Organização Internacional do Trabalho, a mulher é duplamente explorada no trabalho e no lar. 46% das mulheres trabalham 80 horas por semana e têm salários mais baixos que o dos homens. As mulheres casadas e/ou com filhos são alvos fáceis de discriminação não só na admissão ao primeiro ou a novos empregos, mas também são as principais vítimas do trabalho temporário (especialmente nestes últimos 15 anos).


A título de exemplo, reparemos na frieza puramente empresarial, desprovida de qualquer sentimento humano, mas tão cheia de preconceitos de classe e dirigida especialmente à mulher trabalhadora, neste simples e cínico comentário dum patrão dos tempos modernos:


— “Os trabalhadores homens são demasiado inquietos e impacientes para fazer um trabalho monótono e sem perspectiva de carreira. Não se submetem à disciplina, sabotam as máquinas e inclusive ameaçam o supervisor. Mas as mulheres são mais dóceis, mais manobráveis e quando muito, apenas choram e gritam. Mas nós podemos bem com elas"...


Outra “descoberta” da filosofia burguesa foi que o Casamento e a Família seriam a melhor das organizações para satisfazer as necessidades humanas.


No entanto, estudos recentes, apontam o casamento como a instituição onde a mulher mais sofre com a violência doméstica e o alcoolismo (63% das agressões físicas contra a mulher acontecem no lar!).


A grande parte dos direitos femininos foi conquistada, graças às lutas das trabalhadoras e à sua consciência de classe.


Nos países capitalistas esses direitos só foram conseguidos depois de conquistados em alguns países da Europa, da União Soviética e de Cuba, onde as mulheres tiveram conquistas históricas, como a criação de escolas, creches, direito ao voto, divórcio e aborto gratuito.


A este avanço nota-se, nestas últimas décadas, um imenso retrocesso nas condições de vida das trabalhadoras, não apenas nestes países (aumento da jornada de trabalho, aumento do analfabetismo, do desemprego e da prostituição). Muitos países aproveitam para lançar uma ofensiva brutal sobre as conquistas sociais e laborais conquistadas pelos trabalhadores, intensificando ainda mais a repressão sobre os sectores mais segregados da população, particularmente sobre as mulheres, os negros e os homossexuais.

O Dia Internacional da Mulher – sua perspectiva histórica

Em 1789, com o advento da revolução francesa, as mulheres reivindicaram melhoria das condições de vida e de trabalho, a participação política, o fim da prostituição, o acesso à instrução e a igualdade de direitos.

Em 1791, Olympe de Gouges apresentou a "Declaração dos Direitos da Cidadã", onde reivindicava o "direito feminino a todas as dignidades, lugares e empregos públicos segundo as suas capacidades". Defendeu ainda que "se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela também tem o direito de poder subir à tribuna".


Como resultado desta “rebeldia” Olympe de Gouges foi julgada e condenada à morte. Em 3 de Março de 1793 foi guilhotinada por "ter querido ser um homem de estado e ter esquecido as virtudes próprias do seu sexo".


Nesse mesmo ano, as associações femininas francesas recentemente criadas, foram proibidas.

Na segunda metade do século XVIII, as grandes transformações científicas e sociais resultantes da Revolução Industrial, trouxeram uma série de modificações. Os industriais, como forma de baixar os salários e aumentar os lucros, apostaram forte no trabalho feminino. A mulher operária foi, então, obrigada a fazer jornadas de trabalho que chegavam até às 17 horas diárias. Além de receberem salários que chegavam a ser 60% inferiores ao dos homem, trabalhavam em condições doentias, submetidas a espancamentos e ameaças sexuais.

Em Inglaterra, como exemplo do ambiente fabril da época, as operárias da tecelagem Tydesley trabalhavam 14 horas por dia a uma temperatura de 29º, num local húmido, com portas e janelas fechadas. Na parede estava afixado um cartaz que proibia, entre outras coisas, a ida à casa de banho, beber água, abrir as janelas ou acender as luzes.


Como resposta a estas situações desumanas de trabalho surgiram na Europa e nos Estados Unidos manifestações operárias contra estas condições.

Em 1819, depois de um confronto entre a polícia e os trabalhadores, a Inglaterra aprovou uma lei em que a jornada de trabalho das mulheres e dos menores dos 9 aos 16 anos foi reduzida para 12 horas.

Em 1824, o parlamento inglês aprovou o direito de organização dos trabalhadores. Assim, a Inglaterra tornou-se o primeiro país a reconhecer o direito à livre associação dos trabalhadores, nascendo os sindicatos como forma de organização de classe.

No dia 8 de Março de 1857,
a luta desenvolvida pelas operárias têxteis de Nova Iorque pela redução do horário de trabalho, por melhores salários e condições de vida mais justas, transformou-se num marco importante.
129 tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton pararam o seu trabalho, reivindicando o direito à jornada de 10 horas.

A polícia, a mando dos patrões, reprimiu-as violentamente, fazendo com que as operárias se refugiassem dentro da fábrica. Os donos da empresa, juntamente com a polícia, trancaram-nas dentro da fábrica, uma indústria têxtil mal ventilada que ocupava os 3 últimos andares de um prédio de 10 andares e atearam-lhe fogo. O soalho coberto de materiais inflamáveis e de lixo que se amontoava por todos os cantos, sem saídas de incêndio, foi rapidamente pasto de um grande incêndio que envolveu 500 mulheres jovens, a maior parte imigrantes judias e italianas.


Quando os bombeiros chegaram já 147 mulheres tinham morrido carbonizadas ou estateladas na calçada da rua, para onde saltavam, ao tentar escapar das chamas.


No funeral das operárias, a líder sindical Rosa Scneiderman organizou um comício com 120.000 trabalhadoras para lamentar “o assassínio bárbaro, frio e calculista das 147 trabalhadoras” e solidarizarem-se com todas as mulheres trabalhadoras.

Em 3 de Maio de 1908, em Chicago, comemorou-se o primeiro "Dia da Mulher”, que foi presidido por Lorine Brown. Participaram neste comício mais de 1.500 mulheres que denunciaram a exploração e a opressão a que eram submetidas. Defenderam a igualdade dos sexos, a autonomia das mulheres e o voto feminino. Foi reivindicada a igualdade económica e política das mulheres.

Em 28 de Fevereiro de 1909, em Nova Iorque, comemorou-se o "Dia da Mulher”. Foi uma actividade organizada pelo Comité Nacional das Mulheres Socialistas. O tema desta jornada de luta foi a defesa do voto das mulheres, a sua emancipação, pela jornada de 10 horas de trabalho e pela a marcação da comemoração anual do "Dia da Mulher” para o último domingo de Fevereiro.

Desde Novembro de 1909 a Fevereiro de 1910 os operários têxteis de Nova Iorque desencadearam grandes acções de massas e greves. 80% dos grevistas eram mulheres e esta terminou 12 dias antes do "Dia da Mulher” (27 de Fevereiro). Esta foi a primeira grande greve das mulheres trabalhadoras em que foram denunciadas as condições de vida e de trabalho. Muitas destas operárias participaram no "Dia da Mulher” e engrossaram a luta pelo direito ao voto das mulheres (que foi conquistado em 1920, dez anos depois, nos Estados Unidos).

Em Agosto de 1910, durante a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas realizada na Dinamarca, a activista pelos direitos femininos e dirigente do Partido Social Democrata Alemão, Clara Zetkin, propôs o dia 8 de Março como “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem “ao confronto heróico das tecelãs de Nova Iorque que foram vítimas do incêndio de 8 de Março de 1857”.


Este dia passou a ser comemorado em todo o mundo como símbolo de resistência operária e como forma de mobilizar amplas massas femininas contra a opressão capitalista.

Em 1913, na Rússia, sob o regime czarista, foi realizada a “Primeira Jornada Internacional das Trabalhadoras pelo Sufrágio Feminino”. As operárias russas que participaram nesta Jornada Internacional em S. Petersburgo foram violentamente reprimidas.

Em 1914, na Rússia, as organizadoras da Jornada ou do Dia Internacional das Mulheres foram presas, o que tornou impossível qualquer comemoração naquele ano.

No dia 8 de Março de 1914, na Alemanha, o “Dia Internacional da Mulher” foi comemorado sob o tema do direito ao voto para as mulheres.

Em 23 de Fevereiro de 1917 (8 de Março, segundo o calendário ocidental), S. Petersburgo foi palco de uma grande manifestação de operárias russas que protestavam contra a guerra, contra a fome e contra o czarismo.


Esta foi o rastilho de um processo de grandes mobilizações e greves que vieram precipitar o início das acções revolucionárias que tornaram vitoriosa a revolução russa.

Em 1921, na Conferência Internacional das Mulheres Comunistas uma camarada búlgara propôs o dia 8 de Março como data oficial do Dia Internacional da Mulher, lembrando a iniciativa das mulheres russas.

A partir de 1922, o “Dia Internacional da Mulher” passou a ser celebrado, em todo o mundo no dia 8 de Março.


 


José Gomes


8 de Março 2006


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Lembrando Catarina Euémia (52 anos - 1954/2006)
Foi a 19 de Maio de 1954, faz agora 50 anos, que Catarina Eufémia foi assassinada em terras de Baleizão pelas forças do regime fascista.
Lutava por pão e trabalho e tornou-se um símbolo da resistência do proletariado rural alentejano à repressão e à exploração do salazarismo e, ao mesmo tempo, um símbolo do combate pela liberdade e da emancipação da mulher portuguesa.
Nos tempos que correm, o exemplo de Catarina Eufémia continua a inspirar homens e mulheres que lutam, ainda, pelo fim da exploração, por uma sociedade mais justa e fraterna.

Zeca Afonso e o seu "Cantar Alentejano"...
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publicado por zeca maneca às 00:00
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4 comentários:
De anónimo a 10 de Março de 2006 às 19:52
Fantástico este Post. Como só tu nos sabes oferecer!
Já o li duas vezes, maravilhada com ele e com a forma como colocas o texto.
Grata por toda esta partilha.

Um abraço e bom fim de semana :)Menina_marota
(http://meninamarota.blogspot.com/)
(mailto:Menina_marota@sapo.pt)


De anónimo a 8 de Março de 2006 às 13:20
Quantas Catarinas ainda por este mundo!!!
Quantas mulheres ainda escravizadas, com ou sem consciência disso!
Quanta agonia na almas, como no choro do Zeca (e no meu e no nosso)
Muito bem Zeca; continua a ser preciso "Avisar (e/ou relembrar)
toda a gente.
Beijos
Maria Mamedemaria mamede
(http://lusoiberica.blogspot.com)
(mailto:maria.mamede@hotmail.com)


De anónimo a 8 de Março de 2006 às 13:20
Quantas Catarinas ainda por este mundo!!!
Quantas mulheres ainda escravizadas, com ou sem consciência disso!
Quanta agonia na almas, como no choro do Zeca (e no meu e no nosso)
Muito bem Zeca; continua a ser preciso "Avisar (e/ou relembrar)
toda a gente.
Beijos
Maria Mamedemaria mamede
(http://lusoiberica.blogspot.com)
(mailto:maria.mamede@hotmail.com)


De anónimo a 8 de Março de 2006 às 01:44
Obrigado, Companheiro, Camarada, Amigo, por me recordares estes pormenores da Luta pela emancipação e igualdade de direitos das Mulheres. Muito gente já varreu da sua memória o que foram e, infelizmente continuam a ser, esses tempos de Luta e sangue derramado em prol de uma sociedade mais justa e mais Fraterna. Este dia 8 de Março também é para mim um dia de tristeza e saudade da minha Mãe que partiu há precisamente 8 anos. Mas a Luta continua!Fernando B.
(http://lusomerlin.blogspot.com)
(mailto:ftcb@netcabo.pt)


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