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Movimentum - Arte e Cultura

Movimentum - Arte e Cultura foi criado em Novembro de 1993. Ao longo destes 14 anos desenvolvemos trabalhos nos campos da Poesia, Artesanato, Exposições e Certames Culturais. Este blog pretende dar-lhe a voz que tem direito.

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Movimentum - Arte e Cultura

28
Out05

Próxima Noite de Poesia em Vermoim

zeca maneca

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Ivone Delgado e Bruno Pedro, pressionados por todos os que os ouviam "Nas Noites de Poesia em Vermoim" foram "empurrados" pelo Movimentum a fazer um CD de Promoção que foi lançado no Forum da Maia em 16 de Setembro de 2000, juntamente com "Retratos" livro de poesia da Maria Mamede.
A composição, arranjos e vozes são da Ivone e do Bruno e fazem parte do CD “Sons do Vento”. Os poemas são de Maria Mamede.

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Como não podia deixar de ser, das 6 faixas escolhi...

"Vento do Norte"

Canta: Ivone Delgado
Acompanhamento: Bruno Pedro
3:31'


Espero que gostem.
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25
Out05

RUY CINATTI - 1915 / 1986

zeca maneca




Ruy Cinatti


Poeta, Agrónomo, Etnólogo, Antropólogo e Investigador


Ruy.jpg



Em 12 de Outubro de 1986 faleceu, em Lisboa,  Ruy Cinatti.

Foi um homem que deu e dedicou o melhor da sua vida em prole do desenvolvimento de Timor que amou como se sua Pátria fosse!
Através dele, do seu exemplo e da sua paixão a essa Terra de mil encantos, dedico-o a todos os Homens, Mulheres e Crianças timorenses de todos os tempos que, com o seu espírito de luta, a sua fé e, sobretudo, com o seu sacrifício, ajudaram a criar a mais jovem nação do século XXI - Timor Lorosa’e.


Premonição


Hei-de chorar
As praias mansas de Tibar e de Díli,
As manhãs, mesas de bruma, de Lautém,
Os horizontes transmarinhos de Dáre
As planícies agrícolas
De Same e de Suai.

“Timor-Amor” – 1974
                   
Ruy Cinatti




Estava a arrumar a estante e dei por mim a folhear vários livros que retratam Timor ao longo destes séculos... Reparei que em todas as obras que Ruy Cinatti escreveu – Poesia ou toda a sua investigação nos vários saberes, todos têm o mesmo denominador comum: Timor e o seu profundo amor por Timor.


Foi através da Poesia que conheci Ruy Cinatti.
Através dela fui conhecendo o seu espírito de aventura, o seu amor e o seu “dar-se” ao povo de Timor. Mais tarde acabei por descobrir o Agrónomo, o Etnólogo, o Antropólogo e o Investigador que se deixou enfeitiçar pela natureza deslumbrante, pela paisagem magnífica e acolhedora de Timor e do seu Povo.


Ruy Cinatti nasceu, em Londres, em 1915, filho de um diplomata português e de mãe de ascendência italiana. Desde muito jovem que a poesia lhe estava no sangue. “Nós não somos deste mundo”, o seu primeiro livro de poesia, que dedicou, em 1941, à memória da sua Mãe.


Foi galardoado com o Prémio Antero de Quental (“O Livro do meu Amigo Nómada” – 1958), Prémio Nacional de Poesia (“Sete Septetos” – 1967) e Prémio Camilo Pessanha, da Agência do Ultramar (“Cancioneiro para Timor” – 1968).



No início de 1946 Ruy Cinatti, engenheiro agrónomo, foi convidado pelo governador de Timor, Oscar Ruas, para secretário e chefe do seu gabinete. Chegou a Timor em finais de Julho de1946. Foi encontrar aquele território desbastado e deixado a saque pelos japoneses, como consequência da II Guerra Mundial.


Iniciaram-se de imediato os trabalhos de reconstrução da ilha. Ruy Cinatti fez um levantamento de todo o território, recolhendo espécimes da flora local. Foi aqui que descobriu plantas desconhecidas do mundo científico, a que deu o nome de “Podocarpus Imbricata” (uma espécie rara de Pinheiro Bravo), “Eucalyptus Cinathiensis” e “Justitia Cinatti” (espécies raras de Eucaliptos).


Durante as suas deslocações pelo interior de Timor travou conhecimento com os indígenas, a sua cultura, as suas tradições e os seus conhecimentos. Quanto mais os conhecia mais admirava aquele Povo...“o timorense é a nossa melhor arma política; sem ele não teria sido possível conservar a soberania portuguesa durante a guerra, num território tão distante da metrópole... O timorense é um ser adulto, pensante, com uma personalidade social definida e responsável” (In “A condição humana em Ruy Cinatti” – estudo sobre a vida e obra de Cinatti, pelo Pe. Peter Stilwell).


O trabalho e as pesquisas que desenvolveu em Timor foram incluídos na sua tese de licenciatura (Reconhecimento em Timor) que apresentou e defendeu em Lisboa (1950) e que teve a classificação de 19 valores.



Regressou a Timor como chefe dos Serviços de Agricultura, cargo que nunca chegou a ocupar pois o novo governador queria-o, não no meio dos indígenas e a fazer pesquisas pela ilha, mas sim sentado a uma secretária a mexer em papelada.


Ruy Cinatti sempre acreditou que o desenvolvimento agrícola desta Província só seria possível com uma articulação entre a cultura local e o respeito pela conservação das florestas. Mas os entraves, a indiferença e o ostracismo que as autoridades portuguesas sempre dedicaram àquele território e sem qualquer possibilidade de concretizar a missão a que se propusera desenvolver em Timor, pediu a sua transferência para a Junta de Investigação do Ultramar, em Lisboa.



Pouco antes de regressar a Portugal manifestou-se violentamente contra a atitude do governador de Timor que proibia o uso da “Lipa” (pano tradicional usado pelos homens em volta da cintura). Cinatti, protestou vivamente, classificando essa atitude de prepotente, de falta de respeito e de consideração pelos usos e costumes locais e uma afronta à dignidade dos timorenses.


Como é bom de ver, tanto o governo de Dili (Timor) como o governo central (Lisboa) ignoraram o seu protesto!


Em 1956, já em Lisboa, vê-se confrontado com a opinião pública que classificava o timorense como “... preguiçoso, arredio a qualquer esforço a que não seja forçado e pouco afeito a estímulos progressivos...”.


Indignado, publicou um manifesto “Em Favor dos Timorenses” em que rebateu estas afirmações transmitidas por aqueles que desconheciam a realidade timorense...


Em 1958 entregou ao governo o “Plano de Fomento Agrário para Timor” e preparava-se para regressar àquela província para pôr em prática o seu plano quando, através da Junta de Investigação do Ultramar, foi convidado a frequentar durante três anos um curso de Etnologia e Antropologia, na Universidade de Oxford, em Inglaterra.


Em 1961 regressou a Timor. Desenvolveu trabalhos de pesquisa na sua área, travando laços de amizade com os timorenses, chegando a fazer um pacto de sangue com dois chefes tribais.

Este pacto de sangue, além da grande honra que representou para um estrangeiro, deu-lhe abertura aos recintos sagrados, às iniciações tribais e acesso aos vestígios arqueológicos. Descobriu pinturas rupestres, recolheu histórias, mitos e tradições que, mais tarde, deixaria em livros.


Por esta altura foi decretado o ensino obrigatório da língua portuguesa em todas as escolas timorenses. A esta medida que Cinatti aplaudiu, responderam os timorenses com um aumento muito significativo da população escolar.


De regresso a Lisboa (1963) publicou estudos sobre as plantas e um tratado sobre a província de Timor.



Em 1966, num colóquio nos Estados Unidos pediu a protecção das jazidas pré-históricas e dos monumentos históricos que descobriu. Para evitar a delapidação do património cultural de Timor e para recolher amostras da presença de um elefante pré-histórico, a comunidade científica pressionou o governo português a enviá-lo a Timor.



Ruy Cinatti ficou, durante todo o mês de Agosto de 1966 (e pela última vez) em Timor.



De regresso a Lisboa e sentindo que o tempo lhe fugia, publicou vários livros de poesia em que o tema é Timor: “Um cancioneiro por Timor” (1968); “Uma sequência timorense” (1970); “Ali também Timor” (1973), “Paisagens timorenses com vultos” (1974); e “Timor-Amor” (1974).



Ruy Cinatti tem uma extensa obra poética em que encontramos paralelos com as paisagens por onde passou, o retrato da sua própria vida, o desencanto com o mundo que o rodeava e Timor, o lugar onde se encontrava consigo e com a natureza (... posso fazer qualquer coisa útil quer no campo científico quer no campo social, aqui em Timor, onde já sou irmão, por pacto de sangue, de muitos timorenses.”  (Carta a Jorge de Sena, ao recusar o convite que este lhe fez para ensinar agronomia no Brasil).



Em 1975 escreveu uma carta ao Diário de Notícias (que nunca chegou a ser publicada) onde chamou a atenção para o perigo que Timor corria, e que veio a confirmar-se meses mais tarde (7 de Dezembro de 1975) com o bombardeamento de Dili, a invasão e posterior anexação de Timor-Leste pela Indonésia.
Foi um rude golpe, do qual nunca mais chegou a recuperar.



Morreu a 12 de Outubro de 1986, com 71 anos de idade, vítima de um cancro pulmonar. Está sepultado no cemitério dos ingleses em Lisboa...



Acredito que Ruy Cinatti, por sua vontade, se sentiria tão bem num abraço dessa terra que tanto amou, descansando em paz à sombra de um tamarindeiro...


José Gomes


23 de Julho de 2004


 



Com este artigo que escrevi para a Comunidade Crocodilos Voadores em 2004 quero hoje,  25 de Outubro 2005, lembrar a memória de Ruy Cinatti que sinto que se está a perder nas brumas do tempo.


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 Dedico esta canção TIMOR (durante muitos anos chamei-lhe Andorinha de Asa Negra) a todos aqueles que, de alguma forma, tornaram possível o nascimento de Timor Lorosae, como nação livre e independente.

TIMOR
Xutos e Pontapés
4:42'

15
Out05

HOJE FOMOS VISITAR UM AMIGO QUE JÁ PARTIU...

zeca maneca

height=83 alt=topopantanero1.jpg src="http://movimentum.blogs.sapo.pt/arquivo/topopantanero1.jpg" width=480 border=0>

Sim, hoje fomos visitar o PANTANERO, o Zé Machado que partiu em 18 de Agosto...
Partiu muito cedo desta vida de espinhos!
Sem barulho, sem um ai, sem um lamento, sem sequer se despedir dos amigos.
Fui eu, a Milú, a Mamede, a Jó, a Ró... sem qualquer pompa e circunstância, apenas com um ramo de flores amarelas (ah, Machado, como gostaríamos de te ter levado cravos vermelhos, da cor da nossa luta, mas só descobrimos essas flores).
Estivemos com os teus irmãos, as tuas cunhadas e demais família... tu descansas numa campa simples, adornada com o poema da Maria Mamede, um teu retrato e uma simples lápide com palavras sentidas da tua família.
Não fomos representar nemhum dos teus/nossos amigos que fizemos na Net. Foi a visita que eu, especialmente, estava em falta contigo. E levei alguns dos amigos que fizeste no Movimentum...
Maus doeu muito sentir que nada te poderia fazer!...
align=left>height=191 alt=zepcppeque.jpg src="http://movimentum.blogs.sapo.pt/arquivo/zepcppeque.jpg" width=150 border=0>

Apenas dizer-te, com o respeito que me merece um combatente:  color=#ff0000>até sempre, camarada! A Luta continua!

align=right>face=arial color=#000000 size=2>José Gomes





14
Out05

POEMA DE AMOR AO PORTO

zeca maneca

"Tudo é possível e provável...


Tempo e espaço não existem...


Sobre a frágil base da realidade


a imaginação tece novas formas..."


 


Strindberg (Fanny & Alexander)


Foi com este poema, esta foto e esta música que a Sylvia Cohin, brasileira mas com o Porto no coração, se deu a conhecer. Ou melhor, eu já a conhecia por poemas seus e por escritos seus que me chegavam às mãos por intermédio de amigos comuns. A frase que destaco acima, completava o seu "Poema de Amor ao Porto" (as aspas e o título são da minha responsabilidade" que ela chamou Surfei nas Núvens tocou-me...
Não digo mais nada!


Não tenho o saber e a maneira como ela formatou este seu trabalho. Isto que vão ler e ouvir não passa do modesto trabalho de um aprendiz de feiticeiro...


Obrigado Sylvia, por teres chegado ao Porto!


Poro a noite.jpg


imagem - Porto by Night




Surfei nas Nuvens


 


Sylvia Cohin


 


Surfei nas ondas das nuvens


com o oceano por leito


rasgando os ares expectante


buscando um «porto» distante


onde abrigar o meu peito.


 


Cheguei na «hora do lobo»


transpirada de questões


com a mala da saudade


tingida da ansiedade


de mil interrogações.


 


Mas no fundo da minh'alma


uma serena bonança


transformava em melodia


a clave de sol de um dia


que se vestia de esperança


 


Neste Porto onde aportei


exausta desta viagem


ancorei meu barco à margem


com amarras que inventei.


 


Agora deixo que as águas


do Douro que descobri


levem para longe as mágoas


dos mundos que conheci.


 


Sou tripeira de adoção


com a alma dividida:


Bahia no coração


e no Porto renascida.


 


E procuro neste povo


da cidade a que me ligo


que irrompa o Sonho de novo


neste meu Porto de abrigo




03.10.2005


 


sonofthelight.mikerowland.wav


 



 

09
Out05

Noite de Poesia de 8 de Outubro de 2005

zeca maneca

height=50 alt=TituloNoitesPoesia2.jpg src="http://movimentum.blogs.sapo.pt/arquivo/TituloNoitesPoesia2.jpg" width=480 border=0>

dir=ltr style="MARGIN-RIGHT: 0px">

face=verdana color=#000099 size=2>Esta Noite de Poesia em Vermoim foi diferente...

Diferente, porque regressamos ao nosso local de origem, à Cave da Residência Paroquial de Vermoim.

Diferente, porque tivemos apenas a presença de 25 amigos e destes, 15 deliciaram-nos com a sua Poesia.

Diferente, porque tivemos o regresso dos "Sons do Vento" e as vozes da Ivone e do Bruno continuam, como sempre, a encantar quem os ouve.

Diferente, porque tivemos a poesia de Fernando Campos de Castro dita por ele próprio.

Diferente, porque tivemos a presença ao vivo da poetisa brasileira Sylvia Cohin, a nossa mais recente aquisição tripeira e que nos declamou poesia sua.

Diferente, porque tivemos a presença de Fernando Peixoto que nos disse poesia sua como só ele a sabe interpretar.

Diferente, porque António Augusto Mandim se despediu como autarca e elo de ligação com a Junta de Freguesia, uma vez que não concorreu a estas eleições.

Diferente, porque os nossos habituais poetas disseram o melhor das suas melhores poesias.

Uma vez que não sabemos se o novo executivo saído destas eleições continuará a acolher estas Noites de Poesia em Vermoim, com um passado com mais de seis anos, e porque os presentes mostraram interesse que esta actividade cultural deva continuar, anunciamos a
face=verdana color=#ff0000 size=2>próxima
Noite de Poesia em Vermoim
para o dia 5 de Novembro, pelas 21,30 horas,
na Cave da Residência Paroquial de Vermoim.

O tema será color=#003399 size=4>TEMPO
.

color=#000000>------------
"Verdes anos"
Carlos Paredes
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