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Movimentum - Arte e Cultura

Movimentum - Arte e Cultura foi criado em Novembro de 1993. Ao longo destes 14 anos desenvolvemos trabalhos nos campos da Poesia, Artesanato, Exposições e Certames Culturais. Este blog pretende dar-lhe a voz que tem direito.

Movimentum - Arte e Cultura foi criado em Novembro de 1993. Ao longo destes 14 anos desenvolvemos trabalhos nos campos da Poesia, Artesanato, Exposições e Certames Culturais. Este blog pretende dar-lhe a voz que tem direito.

Movimentum - Arte e Cultura

31
Jan06

TEMPO DE INVERNO

zeca maneca

Neve Setubal.jpg
"Neve em Setúbal - 29 Jan. 06" (cortesia Prof. A. Serra)



Tempo de Inverno


 




Batem leve, levemente
Como quem chama por mim…

Abri os olhos ao ouvir o fustigar do vento, abanando as persianas baixadas…
Fiquei quieto enquanto os meus olhos se habituavam ao lusco-fusco peneirado pelas
lâminas de plástico da persiana. Agucei o ouvido, tentando perceber o gemido do
vento e o leve “bater” da persiana na janela: - parecia um “morse de dor” dedilhado
por alguém do lado de fora…

Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
E a chuva não bate assim…

Agucei ainda mais os ouvidos…
Além do “tictar” na vidraça, acompanhado pelo gemer do
vento, senti e ouvi um suspiro aflitivo no meio daquela
sinfonia…

Quem suspira, assim, aflitivamente,
Que se confunde vagamente
Com o gemido do vento…

Saltei da cama e fui ver.
Um pássaro transido de frio e, quem sabe, de medo, batera
com a força do vento contra a persiana e enfiara as patitas
através das réguas desta… e debatia-se contra a persiana
que lhe causava dor nas patas presas, agravada agora com o
susto do esguedelhado que abria a janela, tentando tirá-lo
com todo o cuidado daquela posição incómoda.
Segurei-lhe as patas com todo o cuidado e entreabri as
lâminas da persiana, conseguindo agarrar o corpo húmido da
ave e encostá-lo serenamente ao meu peito…
Tentei limpar-lhe as penas molhadas e verifiquei-lhe as
patas, no meio de um piar aflitivo.
As patas pareciam-me estar boas.
Dei-lhe água e algumas sementes e os olhos do pássaro
brilharam quando se cruzaram com os meus.
Quando o senti mais calmo, as penas secas e verificando que
o vento amainara, levei-o até à porta da rua e, junto às
árvores, abri a mão, convidando-o a voar.
Sacudiu as penas, olhou para o céu, trocamos um olhar de
despedida e, com um piar entremeado de cantiga, alçou-se
no espaço, rumo às folhas mais altas das árvores.

Virei as costas e regressei a casa… com frio, mas feliz!


 


José Gomes


31 Janeiro 2006


 


(Não tive a sorte de ver cair flocos de neve aqui na Maia, onde resido... Almeida Serra fez-me ficar com "raiva" enviando-me esta foto. Só o céu toldado e um frio de cortar à faca que nem a lareira, nem os aquecedores, nem as mantas conseguiam aquecer... batia no teclado do computador e bufava nos dedos. Temos realmente o tempo que merecemos... e dantes ainda corria atrás dos arco-íris! Mas há meses que não os vejo nem os sinto...).

Mas vem esta "lenga-lenga" para vos apresentar a música que está hoje nos meus ouvidos, embora nada tenha a ver com o tema:  "Gracias a la vida", na voz da inesquecível Elis Regina.

Boa semana.


José Gomes

22
Jan06

Ressaca das eleições...

zeca maneca
align=center>height=201 alt=Pneu2.jpg src="http://movimentum.blogs.sapo.pt/arquivo/Pneu2.jpg" width=300 border=0>
Algures, por esse país fora...

Gostaria de escrever qualquer coisa sobre o que vi, ouvi e senti no dia de hoje...
Dia de eleições...
Dia de os portugueses ditarem a sua vontade...
E ditaram!
Tudo como dantes... somos como esta imagem! Paisagem e lixo... e tudo como dantes!
Refugiei-me no Zeca Afonso, com o coração apertado e uma pergunta a bailar na ponta dos lábios:

- Será que vale a pena lutar? Valerá a pena mudar qualquer coisa neste país?

Fiquei-me com o Zeca....

-----------´
"O que faz falta"
Letra e música de Zeca Afonso
------------













15
Jan06

POESIA (?) - Roubo descarado...

zeca maneca

height=201 alt=Solinv.jpg src="http://movimentum.blogs.sapo.pt/arquivo/Solinv.jpg" width=300 border=0>
(Sol de inverno)

color=#000066>Neste emaranhado princípio de ano em que as coisas deveriam correr melhor que no ano passado (apenas me apercebo que temos um pouquito mais de chuva, mas está um frio de rachar!!), as guerras, os atentados, o zangar das “comadres” , a fome, os sem abrigo, os sem emprego, os “chico-espertos”……..
Continua a ser a mesma chachada do ano passado!
Até a inspiração fugiu!…
Mas quando a inspiração falha e depois de ter lido o texto que vou publicar já a seguir, chego à conclusão que as musas que nos têm alimentado poeticamente durante estes anos devem ter ido de veraneio para lugares mais agradáveis que a pasmaceira desta terra à beira mar plantada …
E foi assim que cometi o “crime”!...
Perdoa lá amiga!...

align=center>
color=#0000cc>size=4>POESIA (?) – 13 de Janeiro 2006


(Roubado indecentemente à Alice - http://mulher50a60.weblog.com.pt/

color=#0000cc>
align=left>
“face=verdana color=#3300ff>Poesia. Caminho que as palavras escolhem para se juntar. Sem justificação ou prévia intenção. Expressão de sentimentos, de sensações. Jogo de palavras, até. Olhando à minha volta, a poesia pode estar em todo o lado. Uma flor, uma pedra. O belo e o feio. Tudo pode despertar uma frase que insiste em fazer-se ouvir. Uma frase que sei ter ligação com outras. E que só me larga quando encontra as palavras que a completam. Nessa obsessão pelo complemento, pela forma, pelo final, o poema instala-se e sussurra-me ao ouvido, como se não fosse possível dizer nem escrever mais nada. Tento fugir dele, agarrar outras palavras, outras ideias. Tudo sai imperfeito. Tudo desagua naquele que está dentro de mim, latente. Num momento, numa hora inesperada, o poema encontra a forma de se dizer e os versos jorram, encaixam. Lutam um pouco entre si, até encontrarem a forma procurada. E eu escrevo. Mas nenhum poema me deixa completamente. As palavras parecem mudar, acendem interrogações, sugerem novas ideias e inquietações. Por vezes, outra frase salta. E tudo recomeça. Poesia. A que leio e a que tento escrever. Aquela sem a qual não vivo. A que acende o sonho ou denuncia a iniquidade. A ideia que se faz palavra e as palavras que são alimento das ideias.
”

________________________________
align=left>face=arial color=#003366>Não, Alice, a Poesia não te abandonou… pelo contrário!
Este texto é uma prosa poética que tem bem patente o teu cunho pessoal, a tua forma de dizer, de escrever e de amar a Poesia.
Um abraço e agradeço (ou melhor, os teus leitores agradecem) que nunca pares de escrever…
Em poesia, em verso, na música que escolhes…

Até a sorrir tu fases Poesia!

align=left>-----------------
face=arial color=#cc3300 size=2>"La Bohème "
Charles Aznavour
CD: 20 Chansons d’ Or
4,05’’
-----------------











08
Jan06

Recordações...

zeca maneca
Dez 2005.jpg(Pôr do Sol - Dez 05 - Praia de Miramar - V. N. Gaia)

No primeiro dia do ano é de tradição passar pela praia, sentir a areia nos pés e, mesmo vestido, molhá-los nas ondas do oceano – que nesta altura do ano não são nada mansas!
Sentei-me à espera do pôr do sol e “puxei a faniqueira atrás”, isto é, enquanto fazia desenhos na areia húmida das ondas, recordei aqueles anos em que esta era a minha praia, em que este era o meu mar, em que este cantinho era o meu mundo…
Foi assim que recordei este episódio da minha vida, passado neste mesmo local:

Já se passaram muitos anos....

As trovoadas de verão
Desde miúdo que fazia praia na Foz do Douro, num cantinho acolhedor que dava pelo nome de “Praia de Gondarém”.
Foi lá que fiz os primeiros amigos, que formamos um grupo que se encontrava todos os anos de Agosto até meados de Setembro.
Foi lá que aprendi a lidar com as frias águas do Oceano Atlântico.

Nesse tempo as águas do mar ainda não estavam tão poluídas, nem os rochedos tinham as manchas negras do crude derramado pelos barcos...

Mais tarde troquei a época de Julho a Agosto – época balnear por excelência – em que havia mais gente que areia (além do cheiro dos bronzeadores, das sandes, dos fritos, do frango, do vinho verde tinto, dos tachos de arroz de frango, das tripas à moda do Porto...) por 10 meses (Setembro a Junho) de praia à minha moda – mais calma, menos gente, mais limpa, mais espaço de areia, água mais quente… a temperatura desta oscilava entre os 16/17 graus para um ambiente exterior de 20/21 graus, nos meses mais quentes e menos de 10/12 graus nos meses mais frios... mas depois de um jogo de bola ou uma corrida pela areia e pelos rochedos, custava saltar para a água mas depois já não se queria sair de lá!...

Mas o que tem isto a ver com as trovoadas?

Passei por várias trovoadas durante os diferentes meses do ano, cada uma delas mais bela, mais espectacular (não posso dizer "assustadora", pois nunca me assustaram, mas olhava-as com um certo respeito... são sempre forças da Natureza e a esta sempre a tratei com o amor e o respeito que merece!), iluminando o céu com os seus raios que rasgavam as nuvens em todas as direcções, seguidas do barulho estonteante dos trovões.
Depois vinham aqueles pingos cada vez mais grossos, até se transformarem numa bátega de água cheirando a mar e a temperatura arrefecia!...
E uma paz interior invadia todo o meu corpo molhado! (Sim, mesmo aos gritos de “Zé, anda para aqui abrigar-te!” deixava-me ficar deliciado com a água que me encharcava!

Naquele dia estava eu, o banheiro e mais dois ou três companheiros de praia. Era um sábado à tarde.
Tinha chegado à praia pelas 15 horas e o céu estava carregado, cor de chumbo, ameaçador... soprava um vento do Sul, forte!

Depois da conversa da praxe, do jogo de voleibol (que interrompemos a meio por causa do vento), e quando nos preparávamos para o habitual banho de mar começaram a cair os primeiros pingos.
O céu tomara a cor da noite, as nuvens ficaram muito espessas e as primeiras faíscas começaram a atravessá-las...
O banheiro aconselhou-nos a esperar que a trovoada passasse.

Ficamos, então, sentados no barracão do banheiro (cheio de instrumentos de pesca, panos e armações das barracas de praia que esperavam a nova época balnear) e de lá contávamos o tempo que separava a luz do relâmpago e o ruído do trovão... O frio e o vento, embora estivéssemos abrigados, faziam contrair o corpo...

De repente, uma luz quase cegante logo seguida dum estrondo!...
O rochedo mesmo à nossa frente (mais ou menos a 50 m) foi atingido pelo raio que se confundiu num mar de cores e ruídos...
Um pedaço de rocha, com o peso de alguns quilos, flutuou entre a rocha e a areia húmida, envolto numa fluorescência azulada... pareceram-me horas que durou aquele fenómeno, até que terminou num "plock" seco ao se imobilizar na areia...

A trovoada foi passando, dando lugar ao Sol e ao céu azul...

Todos nós mantivemos o silêncio!...
Eu, alguns minutos mais tarde saí e fui até ao rochedo esgaravatar a areia molhada que cheirava ainda a ozono...
Não descobri o pedaço do rochedo arrancado pelo raio! Mas o “rochedo-mãe” tinha, ainda, a ferida aberta!

Sei que os meus companheiros foram "cheirar" o local depois de mim...
Até hoje, ninguém disse uma só palavra sobre aquele fenómeno. Nem o banheiro, sempre conhecedor dos mais incríveis fenómenos que a Vida, o Tempo e o Mar lhe ensinou…

O banheiro já morreu!


03 de Janeiro de 06
José Gomes

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"Tous les garçons et les filles"
Canta: Fançoise Hardy
CD: Les Chansons d'Amour
3,08"
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