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Movimentum - Arte e Cultura

Movimentum - Arte e Cultura foi criado em Novembro de 1993. Ao longo destes 14 anos desenvolvemos trabalhos nos campos da Poesia, Artesanato, Exposições e Certames Culturais. Este blog pretende dar-lhe a voz que tem direito.

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Movimentum - Arte e Cultura

29
Abr06

Sonhar Abril... em Maio

zeca maneca

 

A melhor forma de saudar o dia 1 de Maio, dia do trabalhador, é recordar as suas lutas através de séculos de sacrifícios mas, sempre, com a esperança no FUTURO.

Ary dos Santos foi o poeta que cantou e teve sempre esperança nessa madrugada que em Abril, construiu um Maio de Futuro:

 

O Futuro
 
Isto vai meus amigos isto vai
Um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente.

Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente.

Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança
se fizermos de Maio a nossa lança
isto vai meu amigos isto vai.
 
José Carlos Ary dos Santos
24
Abr06

Recordando Abril... 5

zeca maneca
Desta vez o que ouvi fez-me desacreditar todo aquele sonho que animou o 25 de Abril, pelo qual muita boa e abnegada gente deu a sua vida ou sacrificou uma posição na Vida por um Ideal.
Será que ainda valerá a pena continuar a luta?
Quando tantos senhores responsáveis nesta terreola à beira mar encalhada trocaram o ideal porque lutaram quando mais novos pelo seu umbigo e um bom lugar na vida...
Ou aqueles que respondem... 25 de Abril?!!! Ah, sim, é o dia do aniversário do Eusébio...
A Maria Mamede diz, neste poema ao Zeca, tudo o que senti hoje...


 


1ª.CARTA A ZECA AFONSO
(Queixas)
 
 
Zeca
Que tristeza pensar que foi loucura
Lutar tanto tempo, se afinal
O esquecimento desfez toda a amargura
Todo o sofrimento e todo o mal!
E sofreste tu, por teres cantado
As lutas que devíamos lembrar
E por teres rido e por teres chorado
Por quem tinha medo de falar…
Oh como dói ver que nas campinas
Vergadas por jugos diferentes
Continuam ceifando as Catarinas
Mas mais conformadas, mais descrentes…
 
E o choro que existe nas palavras
Histórias que trazemos, já contadas
Memórias que não dão riso, mas pena…
Ai a dor de serem de novo escravas
As gargantas já antes libertadas
Quando cantaram a Grândola Morena!
E esta imensa dor de ver traídos
Os ideais de Abril, renovação
Desse Mês-País, que fez história!
São agora angústia e são gemidos
Os cravos vermelhos da revolução;
Mais um Alcácer de bruma na memória!…
Zeca,
Toma os meus olhos, são fonte sem água
Donde brotaram jorros de alegria
Na liberdade das paixões a arder;
Ai meu Amigo, esta imensa mágoa!
Nosso País mais uma vez se adia,
Toma os meus olhos, que eu não quero ver!…
 
 
Maria Mamede
20
Abr06

Recordando Abril... 4

zeca maneca

A Revolução dos Cravos
 

Para que nunca se esqueça, vou recordar os dois últimos anos que antecederam a Revolução dos Cravos:
 
Em 1 de Janeiro 73, o padre Alberto presidiu à vigília pela Paz. A capela do Rato, em Lisboa, foi cercada e invadida pela Pide e os seus ocupantes foram desalojados à força; o padre Alberto foi destituído das suas funções;
 
Em 9 de Março 73, as Brigadas Revolucionárias fizeram explodir bombas no Distrito de Recrutamento de Lisboa e nos Serviços Mecanográficos do Exército;
 
Em 4 de Abril 73, em Aveiro, no III Congresso da Oposição Democrática, foi reclamado o fim da guerra colonial e a instauração das liberdades democráticas. Foram lançados cães, a policia, a GNR e a Pide para reprimirem de forma brutal, violenta e selvática os congressistas, convidados e assistentes;
 
Em 1 de Maio 73, as Brigadas Revolucionárias fizeram explodir bombas no Ministério das Corporações;
 
Em Dezembro 73, foi escolhida a Coordenadora do Movimento das Forças Armadas. Neste mesmo mês foram presos pela Pide 170 estudantes numa reunião na Faculdade de Medicina de Lisboa;
 
Em Janeiro de 1974, a BBC falou de um golpe de estado na forja, de inspiração dos ultras do regime e que seria comandado por Kaulza de Ariaga. Este golpe visava matar Costa Gomes e Spínola e instaurar em Portugal um regime ainda mais violento. Este golpe de estado foi abortado pelo major Fabião que o denunciou numa aula do Instituto de Altos Estudos Militares;
 
Em Fevereiro 74, o general Spínola publicou o livro “Portugal e o Futuro” que se esgotou rapidamente;
 
Em 5 de Março 74, em Cascais, 200 delegados do Movimento das Forças Armadas marcaram a acção militar para o dia 25 de Abril;
 
Em 9 de Março 74, o Governo, pressionado pelos ultras, pelo mal-estar que as citações do livro de Spínola causou na opinião pública e nas forças armadas, decretou o estado de alerta em todos os quartéis.
Américo Tomás, presidente da República, exigiu a Marcello Caetano, presidente do Conselho de Ministros, a exoneração de Spínola e de Costa Gomes.
Marcello assumiu a responsabilidade pela saída do livro e pediu a demissão dos seus cargos, que não foi aceite.
Após este incidente, 120 oficiais-generais que passaram à História como a “Brigada do Reumático”, à boa maneira medieval, foram prestar fidelidade e lealdade ao Governo — Spínola e Costa Gomes, faltaram!
 
Em 16 de Março de 74, uma coluna do Regimento de Infantaria das Caldas da Rainha avançou sobre Lisboa.
Isolados, regressaram à Unidade.
Foram presos 200 militares.
Otelo Saraiva de Carvalho começou, então, a planificar a estratégia do golpe. Redigiu o Plano Geral de Operações a ser aplicado na semana de 20 a 27 de Abril;
 
Em 15 de Abril, foi entregue a Otelo um desenho do forte de Caxias elaborado por Jorge Sampaio;
 
Em 21 de Abril, foram marcadas as diversas missões a cargo das unidades militares que participaram na acção da madrugada do dia 25.
 
Em 22 de Abril, Otelo e Costa Martins asseguraram os contactos nas estações de rádio.
Foram indicadas a senha, contra-senha e as horas em que estas seriam transmitidas:
— “E Depois do Adeus”, interpretada por Paulo de Carvalho, em 24 de Abril, às 22H55, nos Emissores Associados de Lisboa;
— “Grândola Vila Morena”, interpretada por José Afonso, às 0H20 da madrugada de 25 de Abril, na Rádio Renascença.
(…)
 



Trinta e dois anos se passaram…
 
Dos ideais de Abril — Liberdade, Liberdade de Associação, Democracia, Pão, Paz, Habitação, Saúde, Trabalho, Educação — o que é que ainda hoje nos resta?



Será que Abril foi apenas um SONHO de meio milhar de idealistas?!!!



José Gomes
 


15
Abr06

Recordando Abril... 3

zeca maneca

 

 

 

Em 1979 a Comissão Organizadora das comemorações do 25 de Abril, Dia da Liberdade, publicou uma antologia do Concurso Nacional Escolar «Liberdade e Democracia» - 1978, com trabalhos apresentados por alunos de vários escalões etários (6 aos 14 anos).

Abri a antologia e saltou-me este poema:

 

Eu sou uma criança
Do país de Abril!
Sou do tempo da liberdade!
Eu sou uma criança
do mês de Abril.
Eu sou uma criança
muito contente.
Eu sou uma criança
de liberdade.
Eu sou uma criança
dos campos.
Eu sou uma criança
que vejo regatos.
Eu sou uma criança
que vou para a escola.
Eu sou uma criança
que vou aprender.
Eu sou uma criança
que tenho alegria.
Eu sou uma criança
que vou passear.
Eu sou uma criança
que não faço mal.
Eu sou uma criança
que gosto de brincar.

Eu sou uma criança do País de Abril.

 

António Pais - 12 anos
Escola Primária de Canas de Senhorim

 

 

08
Abr06

Recordando Abril... 2

zeca maneca

 

Só há Liberdade a sério quando houver...

 

Às Forças Armadas e ao Povo de Portugal

«Não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade»

(Jorge Sena)


 

CANTIGA DE ABRIL

 

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

 

Quase, quase em cinquenta anos
reinaram neste país
e conta de tantos danos,
de tantos crimes e enganos,
chegava até à raiz.

 

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

 

Tantos morreram sem ver
o dia do despertar!
Tantos sem poder saber
com que letras escrever,
com que palavras gritar!

 

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

 

Essa paz de cemitério
toda prisão ou censura,
e o poder feito galdério.
Sem limite e sem cautério,
todo embófia e sinecura.

 

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

 

Esses ricos sem vergonha,
esses pobres sem futuro,
essa emigração medonha,
e a tristeza uma peçonha
envenenando o ar puro.

 

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

 

Essas guerras de além-mar
gastando as armas e a gente,
esse morrer e matar
sem sinal de acabar
por política demente.

 

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

 

Esse perder-se no mundo
o nome de Portugal,
essa amargura sem fundo,
só miséria sem segundo,
só desespero fatal.

 

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

 

Quase, quase cinquenta anos
durou esta eternidade,
numa sombra de gusanos
e em negócios de ciganos,
entre mentira e maldade.

 

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

 

Saem tanques para a rua,
sai o povo logo atrás:
estala enfim altiva e nua,
com força que não recua,
a verdade mais veraz.

 

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

 

--------------------

Obras de Jorge Sena
"40 anos de servidão"
Edições 70 - 1989

----------------------
Quero agradecer o "roubo" da foto supra.
Aos companheiros, camaradas e amigos do http://graodeareia-attac.weblog.com/ e à autora Maria Velez o meu obrigado...
Porque recordar ABRIL sempre é uma obrigação da nossa geração.

José Gomes

 

 

06
Abr06

Recordando Abril...

zeca maneca

"Havia um sonho na véspera do tempo
um grito sempre na boca cerrada por inúmeras outras palavras
Antes de Abril havia o medo e o desejo de um corpo
e de uma palavra virgem: LIBERDADE!"



LIBERDADE

Nas correntes de todas as fronteiras
eu gravo teu nome: LIBERDADE
Nas cores de todas as raças
eu pinto teu nome: LIBERDADE
Na terra de todas as searas
eu lavro teu nome: LIBERDADE
Nas velas de todos os navios
eu escrevo teu nome: LIBERDADE
Nos muros de todas as prisões
E nas pedras de todas as praças
eu modelo teu nome: LIBERDADE
Nos sinos de todas as torres
E nas cordas de todas as guitarras
eu toco teu nome: LIBERDADE
No trinar de todos os pássaros
E nas vozes de todos os homens
eu canto teu nome: LIBERDADE
No silêncio dos homens traídos
eu digo teu nome: LIBERDADE
E por te ver tão frágil, tão pequena
eu choro e grito teu nome:

LIBERDADE.

Maria Jerónima,
Março 94

03
Abr06

A última Noite de Poesia em Vermoim...

zeca maneca


Desta vez não temos fotografias da Noite...

A Milú, a nossa fotógrafa de serviço, não pode aparecer e lá ficamos sem a reportagem que nos habituou.

Tive de roubar algumas das suas últimas fotos e ilustrar o artigo com elas.


Um dia o pessoal de Vermoim ou da Maia atiram-nos os cães!...
Temos fotografado muito pouco estas duas freguesias... mas nós até somos de Gueifães!!!

 

     
           E o Porto aqui tão perto... - Milú Gomes - Março 06

 

Foi uma Noite de Poesia diferente das demais.
Mais gente nova e com muito entusiasmo.
Os programas esgotaram-se logo nos primeiros minutos...
Pela primeira vez havia quase tanta gente como cadeiras! Penso que o número de cadeiras colocadas no Salão Nobre anda à volta das 70...
Registamos um número record de colaboradores na "Poesia na Net" o que nos obrigou a fazer uma maior selecção dos poemas recebidos e a destribui-los por alguns "voluntários à força"...
Tivemos um amigo do Cartaxo que quiz estar presente nesta Noite. E disse poemas que agradou. Pena foi não os ter deixado, pois o tema livre até tinha muito valor.
-- José Falagueira, se estiveres a ler estas linhas, manda-me via e-mail o poema sobre a guerra, pois teríamos muito gosto de publicá-lo aqui, durante o mês de ABRIL.

 

 

      
          E o Porto aqui tão perto 2... - Milú Gomes - Março 06

 

 

Os "Sons do Vento" interpretaram-nos Maria Mamede, José Afonso, Madredeus, Dulce Pontes... e de um poema que circulou na Net (enviado por um amigo de Setúbal) fizeram uma interpretação à capela de "Se Tom Jobim usasse o Windows..." :

 

"É pau
É virus
É o fim do programa
É um erro fatal
(...)"

 

 

De Maria Mamede o soneto que foi o seu "trabalho de casa":

 

ABRIL DAS ÁGUAS MIL
 
Quando foi Abril, no tempo certo
De esperanças mil, de ideais
Cada um de nós foi muitos mais
E Abril se abriu; foi tempo aberto...
 
Quando se diss' Abril ao mundo inteiro
Nesse Abril d'águas, choveu flores
E arderam paixões, fogo de cores
Nesse Abril, pra muitos o primeiro...
 
E choveu águas mil nos corações
Águas de paz, sem dor silente
Águas dum futuro conquistado...
 
Mas depois, só choveu desilusões!
E o Abril, de novo mais descrente
É outra vez às águas condenado!...
 
Maria Mamede
1 Abril 2006
 
 
 
 
Normalmente inserimos alguns poemas da "Poesia na Net" durante o mês que nos separa as Noites de Poesia.
Mas este mês é ABRIL, um mês que fez Portugal acreditar que teria um FUTURO verde de esperança...
 
Por isso quero agradecer, entre outros, à Alice Duarte, à Manuela Pimenta, ao José Matos, ao João Diogo, à Isabel Cruz, à TMara, à Maria Fátima Pinto, à Fátima Fernandes, à Otília Martel os trabalhos que nos enviaram.
 
Até ao dia 6 de Maio.
Tema: "Cantigas do Maio".
Local: Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim.
 
 

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