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Movimentum - Arte e Cultura

Movimentum - Arte e Cultura foi criado em Novembro de 1993. Ao longo destes 14 anos desenvolvemos trabalhos nos campos da Poesia, Artesanato, Exposições e Certames Culturais. Este blog pretende dar-lhe a voz que tem direito.

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Movimentum - Arte e Cultura

29
Nov06

NOITES DE POESIA EM VERMOIM...

zeca maneca

 

 

 


Sábado, 2 de Dezembro 2006 às 21,30 horas

 

Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim

 Lugar da Igreja – 4470-303 Maia

 

 

Contamos com a vossa presença e a vossa colaboração

 na divulgação deste evento.

 


 

Aproximamo-nos a passos largos do Natal…

As principais ruas da cidade vestem-se de cores e formas natalícias, as lojas apresentam um movimento desusado para gáudio dos mais pequeninos e dos adultos.

Neste mês lembramo-nos dos carenciados e da falta de humanidade que grassa por cá e por esse mundo fora…

Todos os anos fazemos votos para que haja Paz, Compreensão, Amizade… e que a humanidade, uma vez por todas, se entenda!!!

 

Mas em Janeiro voltamos ao mesmo drama…

 

Escolhi o Poema de Natal interpretado por Vinícius de Morais.


Podem seguir o poema, escutando a voz inesquecível do poeta…

   

 

POEMA DE NATAL

 

Para isso fomos feitos:

Para lembrar e ser lembrados

Para chorar e fazer chorar

Para enterrar os nossos mortos

Por isso temos braços longos para os adeuses

Mãos para colher o que foi dado

Dedos para cavar a terra.

 

Assim será nossa vida

Uma tarde sempre a esquecer

Uma estrela a se apagar na treva

Um caminho entre dois túmulos

Por isso precisamos velar,

Falar baixo, pisar leve, ver

A noite dormir em silêncio.

 

Não há muito que dizer:

Uma canção sobre um berço

Um verso, talvez, de amor

Uma prece por quem se vai

Mas que essa hora não esqueça

E que por ela os nossos corações

Se deixem, graves e simples.

 

Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre

Para a participação da poesia

Para ver a face da morte

De repente nunca mais esperaremos...

Hoje a noite é jovem; da morte, apenas

Nascemos, imensamente.

 

(Vinicius de Morais)

 

 

                                                                            José Gomes

                                                                            29 Nov. 06

 

 

16
Nov06

Conversa com o Prof. Rómulo de Carvalho...

zeca maneca

 

"Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence:
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence
"
António Gedeão



(Á minha frente deveria estar o prof. Rómulo Carvalho...)


Em 14 de Outubro escrevi neste blogue um pequeno artigo sobre António Gedeão
Acontece que, após a publicação do mesmo, tive oportunidade de marcar uma entrevista com o poeta que decorreu, há dias, em plena Avenida dos Aliados, mesmo junto ao “espelho de água” que lá se encontra.

Sentados à mesa (de ferro, presas ao chão da “calçada portuguesa”) e tendo a Milú como repórter fotográfico, lá iniciamos a nossa conversa:

- Boa tarde, professor. Quero agradecer a sua disponibilidade…

- Meu amigo, eu tenho todo o tempo do mundo! – interrompeu-me com um sorriso.

- … para esta nossa conversa. Mas, porquê a Avenida dos Aliados?

- Eu diria esta Avenida dos Aliados, despojada dos bancos vermelhos e dos jardins coloridos, agora substituída por esta modernice de pedra dura e cinzenta, deste espelho de água suja, um atentado à saúde das crianças que lá se banham, como se duma piscina se tratasse, destas cadeiras de ferro que até para mim são desconfortáveis.

- Mas há muita gente feliz com esta nova Avenida, mais ampla, mais adequada a actividades culturais, mais convidativa a trazer pessoas para a rua…

- Acredita nisso? – perguntou-me, enquanto cruzava as pernas e limpava o pó do tampo da mesa.

- Acredito no Futuro, professor… não sei se esta massa dura e cinzenta que veio substituir o verde da relva, o colorido dos canteiros, as rizadas das crianças a darem migalhas de pão às pombas e aos pássaros que passavam por aqui… não sei, realmente, se o Futuro em que acredito passará por aqui! Mas, professor, os meus leitores esperam realmente uma entrevista com Rómulo Carvalho, alas, António Gedeão…

- Como professor ou como poeta? – perguntou, sorrindo.

- Penso que ambos se completam! E começava com um pouco da sua história…

- Vamos lá a isso!

- O professor Rómulo de Carvalho cedo começou a escrever os seus poemas. Quando no Liceu tudo apontava para uma natural escolha pela área das letras, devido à sua aptidão para escrever e fazer poesia, tal não aconteceu. Em contacto com as Ciências e atraído pelo lado experimental destas, escolheu a área de Ciências, vindo a estudar Ciências Físico-Químicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Em 1932, um ano depois de se ter licenciado, formou-se em ciências pedagógicas e exerceu durante 40 anos a sua função de professor e de pedagogo. Reformou-se em 1974, com 40 anos de ensino, um pouco desiludido com a falta de autoridade e a desorganização do ensino em Portugal...

- Um pouco, não! Sempre fui um homem exigente e rigoroso. Não podia pactuar com aquela situação de anarquia e confusão que se estabeleceu depois da revolução... mas não me pergunte nada sobre a situação actual do ensino, a luta dos professores e muito menos sobre a ministra… felizmente já não faço parte deste mundo!

- Tinha ideias em tocar nesse assunto. Fica para um dia destes… Esclareça-me uma coisa, chegaram a convidá-lo para leccionar na Universidade...

- Declinei o convite e dediquei-me por inteiro àquilo que mais gostava: a investigação e a divulgação científica.

- Diga-me, professor, um homem que desde os 5 anos viveu em completa comunhão com a escrita, como é que decidiu em se licenciar-se em Ciências? Deveu-se à atracção pelo lado experimental destas?

- Desde muito novo que escrevia, é verdade, fazia os meus poemas, tínhamos saraus literários lá em casa, com a minha mãe e os meus irmãos! Mas também desde muito novo que gostava de trabalhar com as minhas próprias mãos... se não tivesse escolhido a área do ensino gostaria de ser marceneiro, pedreiro, metalúrgico... Sabe, fiz muitas coisas lá para casa, até fiz mobílias!... A Física e a Química sempre me atraíram não só pelo seu lado experimental mas e sobretudo por poder meter as mãos na própria matéria.

- O que foi para si ensinar?

- Ensinar?...foi uma espécie de mágica! Foi tornar as coisas mais comuns do mundo em objectos de contemplação e reflexão. Foi suscitar a curiosidade, foi fomentar a imaginação e usá-la como ferramenta duma conjectura que propus aos alunos e a que eles aderiram, recriando-a, porque a “descobriram”. É claro que para se criar o gosto de aprender foi preciso fornecer as bases necessárias para que os alunos confiassem nas suas habilidades para conjecturar. Restou-nos a nós, professores, encaminhá-los e guiá-los no início da caminhada, adverti-los dos riscos que poderiam ser assumidos e, sobretudo, reconhecer o esforço e os progressos por eles desenvolvidos.

- E… António Gedeão?

- Gedeão?... bem, nasceu oficialmente quando eu já tinha 50 anos (por volta de 1956), - uma boa idade para que eu já tivesse juízo!!!, com a publicação do meu primeiro livro de poesia “Movimento Perpétuo”. Mas Gedeão sempre existiu, fazendo parte integrante de mim próprio! A paixão pela poesia vinha desde criança...

- Influência da sua mãe?...

- De certo modo sim. O clima que tínhamos em casa era uma espécie de tertúlia, como já lhe disse... Sei que embora ela não escrevesse poesia, bem lá no fundo ela a fazia. Tudo o que hoje sou é uma reprodução dela... por exemplo, a Rosa, a Rosinha, que eu me refiro num dos meus poemas — Mãezinha — é uma homenagem a ela... vamos lá ver se ainda me lembro como é... O meu pai caminhava todos os dias pela mesma rua. Vou eliminando sucessivamente as mulheres, por esta razão ou por aquela, até restar uma única... “A que sobeja / chama-se Rosinha. / Foi essa que o meu pai levou à igreja. / Foi a minha mãezinha.”

- “Eles não sabem que o sonho / é uma constante da vida...” Estas palavras foram apresentadas pela primeira vez em 1969 no programa “Zip-Zip”, pela voz de Manuel Freire. O poema chama-se “Pedra Filosofal” e rapidamente marcou uma geração, tornando-se uma bandeira de luta e de crítica à ditadura de então...

- O sonho comanda a vida! Quando escrevi a Pedra Filosofal foi uma forma de abanar com muita gente, tirá-las do amorfismo a que se tinham acomodado tempo demais. Mas continuo a acreditar que o seu êxito se deve, sobretudo, a ter sido musicado e cantado pelo Manuel Freire!... O poema, por si só, não tem a força que lhe deu a música e a voz do Manel...

- Como considera o homem de hoje?

- Sou muito descrente na evolução da espécie humana... e a prova está bem diante do seu nariz. Os chamados progressos científicos deixam-me cada vez mais em pânico! O homem de hoje faz tantas ou mais barbaridades que o das cavernas. Continua bárbaro como há milénios...ou antes, mais bárbaro, pois cada vez com mais consciência destrói quer o seu semelhante quer esta aldeia global onde todos vivemos... e no entanto o progresso técnico e científico evoluiu à velocidade da luz! Mas em que direcção?!!! Não sei!!! Quase que me atrevo a pensar na destruição da própria espécie... !!! Espero que a mãe natureza tenha uma melhor solução para esta praga que se chama Homem...

- Então não acredita nas virtudes da Humanidade?

- Nem por sombras!!! Individualmente há pessoas com muitas virtudes, capazes de fazerem alguma coisa, mas sozinhas não conseguem nada. O erro está na essência do homem em si! Mesmo que digam a alguém para não fazer isto ou aquilo, para não cortar, por exemplo, todas as árvores, porque isto mais tarde ou mais cedo vai atentar contra a vida dos outros, querem lá saber! Negócio é negócio... encolhem os ombros e fazem o seu negócio. Os cifrões é que contam!!...

- António Gedeão morreu como começou...

- Depois de “Novos Poemas Póstumos” resolvi que o melhor seria matar o poeta. Já não valia a pena escrever mais, pois poderia cair no hábito de me repetir. Achei melhor ficar por ali... morreu o Gedeão, paz à sua alma!! Mas dentro de mim, tal como fez a minha mãe, continuei a escrever... penso que quando dei o último suspiro fiz uma quadra...

- Qual?

- Qual?!!! Mas que pergunta... morri! Não tive tempo de a escrever!!!

- O que foi para si escrever poesia?

- Penso que uma necessidade íntima de nos queixarmos daquilo que vemos, sentimos e lemos... – já pareço o Francisco Fanhais!...

- O professor Rómulo e o poeta Gedeão querem deixar uma mensagem aos leitores?

- Aos leitores?... não sei quantos colegas irão ler o seu blogue... Para eles, professores como eu fui, uma pergunta apenas: ainda não deram, em doidos com o ensino em Portugal, com a falta de disciplina e, sobretudo, com a falta de respeito?!! Por muito menos eu afastei-me do ensino!!!... Como Gedeão, mesmo depois de literalmente morto, a obra que vos deixei continua bem presente nos dias de hoje...o sonho, para muitos, continua a comandar a vida! E sempre que um homem sonha / o mundo pula e avança / como bola colorida / entre as mãos de uma criança. E com esta me vou… já reparou na multidão à nossa volta? Ainda vão julgar que é maluquinho…

- Obrigado pela nossa conversa, Professor Rómulo de Carvalho. – disse, quedando-me a olhar para a cadeira à minha frente.

 

Foi então que reparei na multidão que me rodeava, atraída pelo meu falar e pelos sarrabiscos que debitei no bloco de apontamentos.

 

A Milú fartou-se de tirar fotografias… embora as pilhas fossem novas, carregadas antes de sairmos de casa, descarregaram-se misteriosamente…

Apenas ficaram estas duas com que ilustrei o artigo!!!

 

(A sombra negra não é um Ovni... apenas o respiro do Metro...)

 

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Como apontamento musical deixo-vos com a "Cantata da Paz" interpretada por Francisco Fanhais.
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José Gomes

16 Nov. 2006

 

 

06
Nov06

A Noite de Poesia do dia 4 de Novembro 06

zeca maneca

 


Bruna, recitando o seu "trabalho de casa"
(Vídeo e fotos de Milú Coelho Gomes)

 

A penúltima Noite de Poesia de Vermoim deste ano aconteceu ontem. Perante um salão medianamente cheio, mas não tão cheio como nos vínhamos habituando.

Apesar dos convites em papel, dos convites enviados pela Net, dos anúncios nos meios de informação, do anúncio no portal da Junta de Freguesia de Vermoim (www.jfvermoim.org), da colaboração de alguns blogues na Internet, parece-me que ou a cultura anda de costas voltadas para o que fazemos ou, então, nós não conseguimos transmitir a mensagem às pessoas interessadas.

Mesmo a Poesia na Net, dantes tão concorrida, limitámo-nos a ler três trabalhos enviados pelo João Diogo, do Brasil, da Isabel Cruz, de Lisboa e da Manuela Pimenta cá do Porto.

Qualquer coisa vai mal no mundo da Poesia… já me questiono se o mal não estará no Movimentum – Arte e Cultura que, apesar dos 13 anos de actividade feitos este mês, não consegue trazer mais gente interessada a estas Noites de Poesia.

Uma boa vintena de poetas colaborou nesta Noite em que tivemos a presença da Dra. Maria da Luz Mouta que nos deliciou, apesar da sua idade, com um poema dito de cor e com um soneto dedicado “ao prezado amigo Sr. João Diogo” agradecendo-lhe o livro que este lhe enviou (fica descansado João Diogo, via email, vais receber não só a foto da Dra Maria da Luz a declamar o poema mas também o scan do poema).

Tivemos, mais uma vez a presença a jovem Bruna Carneiro que nos declamou “Árvores” um poema de sua autoria e que tentarei pôr aqui no Blog.



Na falta dos “Sons do Vento” que ficaram sem voz (mas fizeram questão de estarem presentes!) foram substituídos em cima da hora por um trio, pertencente à Filarmonia de Vermoim, desencantados pelo nosso habitual companheiro de mesa e membro do Executivo da Junta, Mário Jorge.

O trio composto por Bárbara Gaspar, Cláudia Ferreira e Pedro Gomes encantou-nos pelo seu virtuosismo nos instrumentos de sopro e no acordéon. No final, uma miscelânea de música popular portuguesa, interpretada pela Bárbara e pelo Pedro (acordeon e flauta) galvanizou os presentes que acompanharam com palmas e até houve quem se atrevesse a um pezinho de dança…

Queremos agradecer a colaboração da Fátima Fernandes, Manuela Carneiro, Bruna Carneiro, Maria José Rocha, Maria Mamede, José Gomes, Fernanda Garcia, Armindo Cardoso, Manuela Miguens, Leonor Reis e Dra. Maria da Luz Mouta, que interpretaram trabalhos seus, sobre o tema.

Na “Poesia na Net” queremos agradecer os poemas enviados pela Isabel Cruz (Lisboa), interpretado pela Maria Mamede, e por João Diogo (Brasil) e Manuela Pimenta (Porto), interpretados por J. Gomes.

No Tema Livre queremos agradecer os trabalhos escolhidos e lidos por José Gomes, Prof. Sabidinho da Silva, António Castilho Dias, Fátima Fernandes, Manuela Carneiro, Maria José Rocha, Maria Mamede, Armindo Cardoso, Fernanda Garcias, Leonor Reis, Maria dos Prazeres, Maria Teresa Mandim e Dra. Maria da Luz Mouta.

Claro, queremos agradecer não só a actuação da Bárbara Gaspar, Cláudia Ferreira e Pedro Gomes mas também a sua disponibilidade para actuarem nas nossas Noites de Poesia.

A Sessão terminou com um mini magusto oferecido pela Junta de Freguesia de Vermoim.

Castanhas, vinho e camaradagem entre todos fizeram-me lembrar as velhas tertúlias de outros tempos.

Próxima Noite de Poesia em Vermoim---- 2 Dezembro 2006;

Tema:-------- “ Cai a Neve


Foi a reportagem possível de uma Noite que, penso, foi agradável para quase todos nós...

Até Dezembro!

José Gomes

 

 

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