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Movimentum - Arte e Cultura

Movimentum - Arte e Cultura foi criado em Novembro de 1993. Ao longo destes 14 anos desenvolvemos trabalhos nos campos da Poesia, Artesanato, Exposições e Certames Culturais. Este blog pretende dar-lhe a voz que tem direito.

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Movimentum - Arte e Cultura

16
Dez06

Natal... eu tenho um sonho!

zeca maneca

 

 

BOM NATAL! BOM ANO NOVO!

(Discurso que todos os anos se repete, mas que nunca se cumpre)

 

Natal

Menino dormindo... / Silêncio profundo. / Benvindo, benvindo, / Salvador do Mundo! Noite.

Noite fria. / Mas que lindo que é! / De um lado Maria. / Do outro José. /

Um anjo descerra / A ponta do véu... / E cai sobre a Terra / A imagem do Céu! [1]

 

Este poema foi escrito naquele tempo em que todos nós – crianças e adultos – sentíamos ainda o Espírito de Natal.

Nos dias de hoje, Natal não passa de uma mera “palavra”, com significado igual ao daqueles dias de "qualquer coisa" que se comemoram nos 365 dias do ano.

Em Dezembro, as luzes coloridas dão novas cores e novos ritmos às árvores, às varandas, aos portais e às janelas das casas. No ar paira um espírito de festa, de pseudo-alegria e de mistério. As músicas natalícias ouvem-se em cada canto e esquina, adormecendo a razão de quem as escuta.

Toda a gente – rica e pobre – se acotovela diante dos escaparates e das montras deslumbrantes... Multidões irrompem pelas lojas, subjugadas aos deuses do consumismo, inebriadas pelas coisas inúteis que compram sem pensar e muito menos sem precisar...

 

Neste mês finge-se que tudo é diferente:

— Diz-se “Bom dia”, com um sorriso no rosto, ao vizinho... – que é ignorado todo o resto do ano!
— Olha-se para os idosos com mais respeito e com um sorriso nos lábios, dá-se-lhes um pouco mais de carinho, de atenção, de amizade... - para, durante o resto do ano, se continuar a ignorar a sua existência!
— Para os “pobres”, os “sem abrigo”, os marginalizados, os indigentes, os doentes... lá estão os nossos “primeiros”, “segundos” e “terceiros” a dar-lhes a anual “sopa de pedra”, entre um sorriso e um piscar de olhos ternurento (mas só para as câmaras dos meedia os focar num grande primeiro plano!)... e, durante o resto do ano, continuarem a ignorar que estes (pobrezinhos, sem abrigo, marginalizados, indigentes, doentes) existem e que continuam a precisar de comer, vestir, dormir e, sobretudo, de trabalho que lhes permita sobreviver com dignidade!

 

Por isso dei por mim a pensar...

 

Ø      Na “Balada de Neve” de Augusto Gil, naqueles "pezinhos de criança", no frio e na dor que sentem ao caminhar...

Ø      No poema de Ary dos Santos que, ontem como hoje, ilustra bem o “faz de conta” desta época que vivemos: “Tu que dormes a noite na calçada ao relento / Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento / Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento / És meu irmão amigo / És meu irmão / (...) [2].

 

Mas o tempo avança inexoravelmente e as pessoas continuam a caminhar, atarefadas, sem ter tempo, sequer, de olhar para o lado...

 

A época natalícia sucede-se ano após ano, com os mesmos gestos, os mesmos fracassos e as mesmas promessas. Fala-se de Fraternidade Universal, fala-se do Criador, fala-se de Jesus que nasceu numa manjedoura...

Porque não falar num Jesus mais adaptado a este mundo real?

Natal

Nasceu! / Numa garagem abandonada, coberta de chapa de zinco, / e num caixote velho de latas de óleo, / Entre desperdícios sujos e usados, / Nossa Senhora e S. José tinham vindo pela estrada, / Os pés no asfalto negro, onde circulam carros de luxo: / Pedir boleia, pediram, mas ninguém viu ou quis ver, / Ou escutar o gesto...

Iam apressados para a ceia da noite, / Desbragada como um conta-quilómetros / E cheia de neblina e promessas.

Nasceu!

Num caixote velho de latas de óleo, / Entre desperdícios sujos e usados.

(...) [3]

 

Finalmente é chegado o dia de Natal!...

 

"Hoje é dia de ser bom. / É dia de passar a mão pelo rosto das crianças / De falar e de ouvir com mavioso tom, / de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças".

"É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem, / de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria, / De perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem, / de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria"

(...) [4].

 

Milhares de mensagens vão atravessar o ciberespaço nas vésperas e no dia de Natal, compondo coisas lindas nos mais de 9 milhões de telemóveis que inundam este país de contradições e do faz de conta!... para gáudio das operadoras que, assim, vêem os seus lucros subirem em flecha!

 

Este mesmo ritual vai-se repetir na noite de 31 de Dezembro!... Desta vez regado com espumante e ao som das 12 badaladas da meia-noite, como manda a tradição! Frases, pensamentos, mensagens (melhor ou pior elaboradas) vão ser trocadas num desejo mútuo de tudo de Bom, muita Saúde, Paz, Fraternidade e Amor...

 

Mas a velha dúvida persegue-me!... e interrogo-me, o que como será possível desejar para 2007...

Tudo de Bom... — se irão subirão as rendas de casa, a electricidade, as portagens, os táxis, a água, os transportes públicos, o pão?!!!...


Tudo de Bom...
— se vão continuar as falências, os despedimentos, o desemprego?!!!...


Muita Saúde... —
com o sistema de saúde que temos?!!! Com a maioria do nosso povo auferindo um salário mínimo de 385,90 euros?!! Serão suficientes para pagar os medicamentos, os honorários dos médicos, os tratamentos, os internamentos?!!!...


Paz... —
com tanta instabilidade e tantas guerras à nossa volta e sem qualquer vontade política de lhes dar fim?!!!...


Fraternidade... —
se impera a lei da selva na nossa sociedade e no mundo em geral, do vale tudo, da competitividade desenfreada e sem regras...


Amor… —
se nem sequer há tempo para se DAR e muito menos para se poder COMPARTILHAR?!!!...

 

 

16 de Dezembro 2006

José Gomes



[1]Natal”, poema de Pedro Homem de Mello.

[2] Excerto de “Quando um Homem Quiser”, poema de Ary dos Santos.

[3] Excerto do poema “Natal”, escrito na noite de Natal de 1952, pelo poeta Amândio César.

[4] Excerto de “Dia de Natal”, poema de António Gedeão.


 

 

12
Dez06

Agradecimento à Bruna

zeca maneca

 


("Cai a Neve" - desenho da Bruna)


Recebi este desenho que me foi enviado pela minha jovem amiga Bruna.
É uma menina que, acompanhada da mãe, têm aparecido nas Noites de Poesia em Vermoim.
Faz e declama poesia sua e de tal maneira que deixa os presentes presos pelas suas palavras.
Desde o primeira noite que me entrega um desenho seu, feito enquanto o "João Pestana" não chega... desenhos curiosos que me deixam a pensar que valeu a pena estar ligado estes anos todos a estas andanças das poesias.
Como não conseguiu ir à nossa última Noite de Poesia em Vermoim acabou de mandar este desenho...
Obrigado, amiga, pela lembrança...
Um Bom Natal repleto de prendinhas... e com tudo de bom para ti e para os teus pais.

Ofereço-te esta música... à falta de inspiração e imaginação. Espero que gostes.


 


 


"Le bain de Cleopatre" - Do filme "Astérix e Cleopatra"

 


 


03
Dez06

Noite de Poesia em Vermoim - a reportagem

zeca maneca

 

 


Dança numa manhã invernosa...

 


Noite de poesia em Vermoim

2 Dezembro 2006-12-03


Esta foi a última sessão de poesia, em Vermoim, neste ano de 2006. Talvez por isso o amplo Salão Nobre da Junta de Vermoim quase que encheu de pessoas interessadas, e muitas delas visitaram-nos pela primeira vez.

 

18 poetas disseram poesia sua ou de outros poetas, distribuídos pelo tema da noite (Cai a neve) ou pelo tema livre. Tivemos as vozes de Maria Mamede, Fernanda Garcias, Armindo Cardoso, Maria José, José Gomes, Maria dos Prazeres, Teresa Gonçalves, Ferreira da Costa, Fátima Fernandes, Otília Martel, Ercília Freitas, Albino Santos, António Castilho e Aloísio Nogueira (que nos lembrou a partida do pintor e poeta Mário Cesariny, recitando um dos seus poemas)… e, penso, que não me esqueci de ninguém!

 

Na “Poesia na Net” colaboraram João Diogo (Brasil) e Manuela Pimenta (Porto), poemas que foram lidos pela Maria Mamede e José Gomes.

 

Tivemos a participação musical dos “Sons do Vento” – Ivone Delgado e Bruno Pedro (que interpretaram “Vento do Norte” Maria Mamede, “Só por existir” Jorge Palma, “O Sonho” Madredeus, “Grito de Liberdade” Maria Mamede e “Canção de Embalar” Zeca Afonso) e “Os meninos da Filarmonia de Vermoim” – Cláudia, Bárbara e Pedro -  (que interpretaram “Tempestade do Mar” de Vivaldi, “Libertango” de Piazzola, “Tico Tico” popular brasileira, “New York” “New York” e “Temas de Natal”).

 

Foi um serão muito agradável que culminou com o convite para assistir ao Concerto de Natal da Filarmonia de Vermoim, já no próximo dia 7, no auditório do Fórum da Maia.

 

Regressaremos no dia 6 de Janeiro de 2007, com o tema “Água toda que te vais”.

 

Até lá e com o pedido de divulgação (e da vossa presença, claro!) do Concerto de Natal do dia 7:

 

 

 

A Orquestra da Filarmonia de Vermoim vai dar o seu Concerto de Natal no próximo dia 7 de Dezembro, pelas 21h30, no palco do Fórum da Maia.

 

É o concerto de encerramento do ano e constituirá uma oportunidade para mostrar todo o trabalho que a orquestra desenvolveu desde a sua fundação em Fevereiro passado.

 

Espera-se casa cheia, pelo entusiasmo que anteriores actuações da orquestra motivaram, pelo que se mostra conveniente que todos os interessados obtenham antecipadamente as suas entradas.

 

Informações:

Junta de Freguesia de Vermoim

tel. 229448088

ou

geral@jfvermoim.org

 

 

José Gomes

3 de Janeiro 2007

 

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