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Movimentum - Arte e Cultura

Movimentum - Arte e Cultura foi criado em Novembro de 1993. Ao longo destes 14 anos desenvolvemos trabalhos nos campos da Poesia, Artesanato, Exposições e Certames Culturais. Este blog pretende dar-lhe a voz que tem direito.

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Movimentum - Arte e Cultura

19
Set07

"UMA NOITE COM... CHE GUEVARA"

zeca maneca
No dia 13 de Outubro de 2007, Movimentum - Arte e Cultura e o Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta vão, no anfiteatro deste, recordar CHE GUEVARA num espectáculo de música e poemas dedicado a este símbolo de resistência para os países oprimidos.

“Uma Noite com… Che Guevara” será a nossa maneira de manter bem vivo o seu espírito de lutador e a sua luta por um mundo novo, sem opressores nem oprimidos.

Contamos com a vossa presença e que nos ajudem a divulgar este evento.


José Gomes




 

Em Outubro de 1965, Fidel de Castro lê a carta que Che Guevara lhe havia mandado, a qual dizia:
 
 
«A Fidel de Castro
Havana. “Ano da Agricultura”
 

Fidel,

 
Neste momento lembro-me de muitas coisas – de quando te conheci no México, em casa da Maria Antónia, de quando me propuseste juntar-me a ti, de todas as tensões causadas pelos preparativos...
 
Um dia vieram perguntar-me quem deveriam avisar em caso de morte e a possibilidade real deste facto afectou todos nós. Mais tarde soubemos que era verdade, que numa revolução ou se vence ou se morre (se a revolução for autêntica). E muitos companheiros ficaram-se pelo caminho em direcção à vitória...
 
Hoje, tudo tem um tom menos dramático, porque estamos mais maduros. Mas os factos repetem-se.

Sinto que cumpri com a parte do meu dever que me prendia à Revolução Cubana no seu território e despeço-me de ti, dos camaradas, do teu povo, que agora é meu.
 
Renuncio formalmente aos meus cargos no Partido, ao meu lugar de ministro, à minha patente de Comandante e à minha cidadania cubana. Legalmente nada me liga a Cuba, apenas laços de outro tipo, que não se podem quebrar com nomeações.
 
Fazendo o balanço da minha vida passada, acho que trabalhei com suficiente integridade e dedicação para consolidar o triunfo revolucionário. A minha única falha grave foi não ter tido mais confiança em ti desde os primeiros momentos da Sierra Maestra não ter compreendido com a devida rapidez as tuas qualidades de líder revolucionário.
 
Vividias magníficos e, ao teu lado, senti o orgulho de pertencer ao nosso povo nos dias brilhantes, embora tristes, da crise do Caribe (a questão dos mísseis soviéticos em Cuba). Raramente um estadista fez mais do que tu naqueles dias; orgulho-me também de te ter seguido sem vacilar, identificando-me com a tua maneira de pensar, de ver e avaliar os perigos e os princípios.
 
Outras terras do mundo requerem os meus modestos esforços. Eu posso fazer aquilo que te é vedado devido à tua responsabilidade à frente de Cuba e chegou a hora de nos separarmos.
 
Quero que se saiba que o faço com um misto de alegria e pena. Deixo aqui as minhas mais puras esperanças de construtor e os meus entes mais queridos. E deixo um povo que me recebeu como um filho. Isso fere uma parte do meu espírito.
 
Carrego para novas frentes de batalha a fé que me ensinaste, o espírito revolucionário do meu povo; a sensação de cumprir com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que esteja. Isso consola-me e mais do que isso cura as feridas mais profundas.
 
Declaro uma vez mais que liberto Cuba de qualquer responsabilidade, a não ser aquela que provém do seu exemplo. Se chegar a minha hora debaixo de outros céus, o meu último pensamento será para o povo e especialmente para ti, a quem digo obrigado pelos teus ensinamentos e pelo teu exemplo, aos quais tentarei ser fiel até às últimas consequências dos meus actos; que estive sempre identificado com a política externa da nossa revolução e assim continuarei; que onde quer que me encontre sentirei a responsabilidade de ser revolucionário cubano e, como tal, actuarei.
 
Não lamento por nada deixar, nada material, para os meus filhos e para a minha mulher. Estou feliz que seja assim. Não peço nada para eles, pois o Estado lhes dará o suficiente para viver e se educarem.
 
Teria muitas coisas a dizer-te e ao nosso povo, mas sinto que não são necessárias palavras elas não podem expressar o que eu desejaria; não vale a pena rabiscar apressadamente mais qualquer coisa num bloco de notas.
 
Até à vitória sempre! Pátria ou morte!
Abraço-te com todo o meu fervor revolucionário.
 
Che»
 


 
 
Recordando:
 
1967
Che Guevara morreu a 9 de Outubro na aldeia boliviana de Higueras. Foi assassinado, com apenas 39 anos de idade, por "Boinas Verdes Quíchuas", tropa de elite do exército boliviano, treinada pelos Estados Unidos especialmente para esse fim. Che morreu como queria, lutando por um ideal que considerava justo.
 
1997
Trinta anos depois do assassinato de Che, os seus restos mortais foram descobertos numa vala comum na cidade de Vallegrande, na Bolívia, por antropólogos argentinos e cubanos.
 
A 17 de Outubro de 1997, Che foi enterrado com grande emoção  na cidade cubana de Santa Clara (onde liderou a batalha decisiva para o derrube de Fulgêncio Baptista), com a presença da família e de Fidel de Catro. Embora os seus ideais sejam românticos aos olhos de um mundo globalizado, ele transformou-se num símbolo na história das revoluções do século XX e num exemplo de coerência política.
 
A sua morte determinou o nascimento de um mito, até hoje símbolo de resistência para os países latino-americanos e de todos aqueles que aspiram pela liberdade e independência.

José Gomes
10
Set07

Para que a história os não esqueça

zeca maneca

"Colocado numa transição histórica, pagarei com a minha vida a lealdade que dediquei ao povo. E vos digo que tenho a certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser cortada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e no seu destino. Superarão outros homens neste momento cinza e amargo onde a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, muito mais cedo do que se possa pensar, se abrirão, de novo, as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor."

Salvador Allende, 11 de Setembro de 1973



Homenagem ao Povo do Chile

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Nas suas almas abertas
traziam o sol da esperança
e nas duas mãos desertas
uma pátria ainda criança.

Gritavam Neruda Allende
davam vivas ao Partido
que é a chama que se acende
no povo jamais vencido.
- o povo nunca se rende
mesmo quando morre unido.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Alguns traziam no rosto
um rictus de fogo e dor
fogo vivo fogo posto
pelas mãos do opressor.
Outros traziam os olhos
rasos de silêncio e água
maré-viva de quem passa
uma vida à beira-mágoa.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Mas não termina em si próprio
quem morre de pé. Vencido
é aquele que tentar
separar o povo unido.
Por isso os que ontem caíram
levantam de novo a voz.
Mortos são os que traíram
e vivos ficamos nós.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que nasceram para o Chile
morrendo de corpo inteiro.

 

José Carlos Ary dos Santos


VENCEREMOS



03
Set07

Noites de Poesia em Vermoim – a reportagem de 1 de Setembro 07

zeca maneca


(Reportagem da Noite de 1 de Setembro de 2007)
 

As portas do Salão Nobre da Freguesia de Vermoim abriram-se nesta noite cálida de Verão para receber os poetas e os amigos da Poesia. Os sorrisos sucederam-se aos abraços e contaram-se algumas “aventuras” das férias, antes de se dar início à Sessão.

 

Uma Noite de Poesia em que o tema “Estação das marés-vivas” conseguiu induzir uma brisa refrescante e romântica aos poetas que intervieram.

 

JG abriu a Sessão cumprimentando os presentes neste regresso de férias e justificou a ausência dos “Sons do Vento” que foram substituídos por José Silva, que nos encantou com interpretações de Adriano Correia de Oliveira e José Afonso.

 

Maria Mamede iniciou a “Noites de Poesia em Vermoim” com a leitura do texto poético de Paulo Sérgio. Seguiram-se poemas lidos pelos poetas Armindo Cardoso, Adérito Morais, Maria Mamede, Avelino Fernando, Fernanda Garcias, João Diogo (Poesia na Net – lido por José Gomes), Jaime Gonçalves, Ferreira da Costa, José Gomes e Teresa Gonçalves.

Desta primeira parte escolhi o poema de Avelino Fernando:


 

Estação das marés-vivas

 
Sentei-me nos rochedos a contemplar
Aquela massa líquida imensa
Deixando o pensamento divagar
Pois a alma também pensa
 
Agitada, se atirava com força
De encontro à costa
Me fazendo lembrar a menina moça
Contrariada e sem resposta
 
Momentos de tristeza me assaltaram
Mas de alegria também
Por tudo o que me levaram
Mas eu ainda estou aqui meu bem
 
Quanto sábia é a mãe natureza
Pois tem tudo em harmonia
Só o humano na sua realeza
Não percebeu como ela o desafia
 
Percorri tanto mar
Atravessei-o no meu veleiro
Enfrentei marés-vivas
Mas não consegui ser pioneiro
 
Estamos na Estação das marés-vivas
Estamos para mudar de Estação
Gosemos férias repartidas
Pois ainda reina o verão.
 
Avelino Fernando
(Poema declamado pelo autor, nesta Sessão).
 
 

José Silva substituiu “Sons do Vento” que, por motivos imprevistos não puderam estar presentes. Adriano  Correia de Oliveira e Zeca Afonso foram recordados pela voz deste amigo. Começou por cantar Adriano, chamando a atenção para o 25 º aniversário da sua morte que terá lugar no próximo dia 16 de Outubro.

 

 
Erguem-se muros

Música:
Adriano Correia de Oliveira
Letra: António Ferreira Guedes
 
Erguem-se muros em volta
do corpo quando nos damos
amor semeia a revolta
que nesse instante calamos
 
Semeia a revolta e o dia
cobrir-se-á de navios (bis)
há que fazer-nos ao mar
antes que sequem os rios
 
Secos os rios a noite

tem os caminhos fechados (bis)

Há que fazer-nos ao mar
ou ficaremos cercados
 
Amor semeia a revolta
antes que sequem os rios...
 
No tema “Livre” colaboraram os poetas Armindo Cardoso (com um poema evocativo ao poeta Castro Reis), Fernanda Garcias, Adérito Morais, Maria do Céu Guedes (com um poema evocativo ao poeta Castro Reis), António Castilho Dias, Avelino Nogueira, Jaime Gonçalves, Ercília Freitas, José Gomes, Teresa Gonçalves, Ferreira da Costa e Maria Mamede.
 

Ferreira da Costa
(Vídeo com a declamação de "Corridinho", por Ferreira da Costa).
 
 

ESTA VIDA É UM CORRIDINHO

 
A vida é um corridinho,
Corre, corre, sem parar,
Dés que um homem vem ao mundo
Té que vai a enterrar.
Nasce a gente e de repente,
Corre este risco sem par,
De morrer logo à nascença
Ou de ter que cá ficar.
 
Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.
 
Em miúdo corre e chora
Prá mãe lhe dar de mamar
Depois pula, rasga e estraga,
Pelos jardins a brincar.
Corre depois para a escola,
Corre aos livros pra estudar,
Corre depois na parada,
Quando vai pra militar.
 
Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.
 
Corre o tempo e volta à terra,
Com ideias de casar.
Corre logo ao bailarico,
Corre à procura dum par.
Correm banhos na igreja.
Corre a nova no lugar,
Té que um dia mai-la noiva,
Correm ambos pró altar.
 
Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.
 
Correm dias bem felizes,
Correm horas de bem-estar,
Pois num berço pequenino,
Está um bebé a chorar.
Mas passados anos correm
dez pimpolhos no seu lar
Corre-lhe o suor em bica,
Pra família sustentar.
 

Corre, corre, corridinho.

Corre, a vida sem parar.

 
Corre aqui, pede acolá,
Corre ao prego pra pagar
ao padeiro, ao merceeiro,
pra vestir e pra calçar.
Corre um mês e outro mês,
E ele, aflito, pra arranjar,
com que pague a casa, a luz
e ao doutor que o vai tratar.
 
Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.
 
Já cansado de correr,
Certo dia, ao levantar,
Corre-lhe um frio plo espinhaço,
Corre à cama e dá-lhe um ar.
Corre o pranto na família,
Corre a gentinha a espreitar.
A correr vem um anjinho
que logo o leva plo ar.
 

Corridinho, corridinho,

Lá vai ele a aboar.

Corridinho, corridinho,

Lá vai ele a aboar.

 
Corridinho chega ao céu,
Bate à porta pra entrar,
Corre S. Pedro a abrir,
Pró caminho lhe indicar.
— Corre já pra'quela nuvem
Que é ali o teu lugar,
Pois no fim desta corrida
tens direito a descansar.
 

Corridinho, corridinho,

Lá vai ele a aboar.

Corridinho, corridinho,

Lá vai ele a aboar.

 

Fernando Santos, Almeida Amaral, João Villaret, Frederico Valério

 
 

O tema proposto para a próxima Noites de Poesia em Vermoim (dia 6 de Outubro, pelas 21,30 horas) é “Já se malhou a colheita”.

 
Cá vos esperamos em Outubro!
 
José Gomes
 




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