Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007
"UMA NOITE COM... CHE GUEVARA"
No dia 13 de Outubro de 2007, Movimentum - Arte e Cultura e o Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta vão, no anfiteatro deste, recordar CHE GUEVARA num espectáculo de música e poemas dedicado a este símbolo de resistência para os países oprimidos.

“Uma Noite com… Che Guevara” será a nossa maneira de manter bem vivo o seu espírito de lutador e a sua luta por um mundo novo, sem opressores nem oprimidos.

Contamos com a vossa presença e que nos ajudem a divulgar este evento.


José Gomes




 

Em Outubro de 1965, Fidel de Castro lê a carta que Che Guevara lhe havia mandado, a qual dizia:
 
 
«A Fidel de Castro
Havana. “Ano da Agricultura”
 

Fidel,

 
Neste momento lembro-me de muitas coisas – de quando te conheci no México, em casa da Maria Antónia, de quando me propuseste juntar-me a ti, de todas as tensões causadas pelos preparativos...
 
Um dia vieram perguntar-me quem deveriam avisar em caso de morte e a possibilidade real deste facto afectou todos nós. Mais tarde soubemos que era verdade, que numa revolução ou se vence ou se morre (se a revolução for autêntica). E muitos companheiros ficaram-se pelo caminho em direcção à vitória...
 
Hoje, tudo tem um tom menos dramático, porque estamos mais maduros. Mas os factos repetem-se.

Sinto que cumpri com a parte do meu dever que me prendia à Revolução Cubana no seu território e despeço-me de ti, dos camaradas, do teu povo, que agora é meu.
 
Renuncio formalmente aos meus cargos no Partido, ao meu lugar de ministro, à minha patente de Comandante e à minha cidadania cubana. Legalmente nada me liga a Cuba, apenas laços de outro tipo, que não se podem quebrar com nomeações.
 
Fazendo o balanço da minha vida passada, acho que trabalhei com suficiente integridade e dedicação para consolidar o triunfo revolucionário. A minha única falha grave foi não ter tido mais confiança em ti desde os primeiros momentos da Sierra Maestra não ter compreendido com a devida rapidez as tuas qualidades de líder revolucionário.
 
Vividias magníficos e, ao teu lado, senti o orgulho de pertencer ao nosso povo nos dias brilhantes, embora tristes, da crise do Caribe (a questão dos mísseis soviéticos em Cuba). Raramente um estadista fez mais do que tu naqueles dias; orgulho-me também de te ter seguido sem vacilar, identificando-me com a tua maneira de pensar, de ver e avaliar os perigos e os princípios.
 
Outras terras do mundo requerem os meus modestos esforços. Eu posso fazer aquilo que te é vedado devido à tua responsabilidade à frente de Cuba e chegou a hora de nos separarmos.
 
Quero que se saiba que o faço com um misto de alegria e pena. Deixo aqui as minhas mais puras esperanças de construtor e os meus entes mais queridos. E deixo um povo que me recebeu como um filho. Isso fere uma parte do meu espírito.
 
Carrego para novas frentes de batalha a fé que me ensinaste, o espírito revolucionário do meu povo; a sensação de cumprir com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que esteja. Isso consola-me e mais do que isso cura as feridas mais profundas.
 
Declaro uma vez mais que liberto Cuba de qualquer responsabilidade, a não ser aquela que provém do seu exemplo. Se chegar a minha hora debaixo de outros céus, o meu último pensamento será para o povo e especialmente para ti, a quem digo obrigado pelos teus ensinamentos e pelo teu exemplo, aos quais tentarei ser fiel até às últimas consequências dos meus actos; que estive sempre identificado com a política externa da nossa revolução e assim continuarei; que onde quer que me encontre sentirei a responsabilidade de ser revolucionário cubano e, como tal, actuarei.
 
Não lamento por nada deixar, nada material, para os meus filhos e para a minha mulher. Estou feliz que seja assim. Não peço nada para eles, pois o Estado lhes dará o suficiente para viver e se educarem.
 
Teria muitas coisas a dizer-te e ao nosso povo, mas sinto que não são necessárias palavras elas não podem expressar o que eu desejaria; não vale a pena rabiscar apressadamente mais qualquer coisa num bloco de notas.
 
Até à vitória sempre! Pátria ou morte!
Abraço-te com todo o meu fervor revolucionário.
 
Che»
 


 
 
Recordando:
 
1967
Che Guevara morreu a 9 de Outubro na aldeia boliviana de Higueras. Foi assassinado, com apenas 39 anos de idade, por "Boinas Verdes Quíchuas", tropa de elite do exército boliviano, treinada pelos Estados Unidos especialmente para esse fim. Che morreu como queria, lutando por um ideal que considerava justo.
 
1997
Trinta anos depois do assassinato de Che, os seus restos mortais foram descobertos numa vala comum na cidade de Vallegrande, na Bolívia, por antropólogos argentinos e cubanos.
 
A 17 de Outubro de 1997, Che foi enterrado com grande emoção  na cidade cubana de Santa Clara (onde liderou a batalha decisiva para o derrube de Fulgêncio Baptista), com a presença da família e de Fidel de Catro. Embora os seus ideais sejam românticos aos olhos de um mundo globalizado, ele transformou-se num símbolo na história das revoluções do século XX e num exemplo de coerência política.
 
A sua morte determinou o nascimento de um mito, até hoje símbolo de resistência para os países latino-americanos e de todos aqueles que aspiram pela liberdade e independência.

José Gomes

sentimento: Emocionado!!!!
música: "Habla el Che" - palavras de Che Guevara

publicado por zeca maneca às 16:18
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